Assassinos de jornalista crítica da Rússia são condenados à prisão perpétua

  • Por Agencia EFE
  • 09/06/2014 07h38

Moscou, 9 jun (EFE).- Os dois autores do assassinato em 2006 da jornalista russa Anna Politkovskaya, uma das mais críticas ao Kremlin, foram condenados à prisão perpétua, informaram nesta segunda-feira os veículos de imprensa russos.

O checheno Rustám Majmúdov, autor do assassinato, e seu tio, Lom-Ali Gaitukáev, que teria sido o mentor do crime, passarão o resto de suas vidas em uma prisão de segurança máxima após serem declarados culpados pelo Tribunal Municipal de Moscou.

Ambos foram catalogados na resolução do juiz como “extremamente perigosos para a sociedade”.

Por sua vez, os irmãos de Rustám Majmúdov, Ibraguim e Dzhabrail Majmúdov, envolvidos no assassinato, foram condenados a 14 e a 12 anos de prisão, respectivamente.

O ex-policial Sergei Jadzhikurbánov, que teria se encarregado de coordenar o assassinato em Moscou, passará 20 anos atrás das grades.

Ainda não se sabe quem encomendou o assassinato, mas a Procuradoria-Geral continua em sua busca.

Tanto a família de Politkovskaya quanto a direção da “Nóvaya Gazeta”, onde a jornalista trabalhou, puseram várias vezes em dúvida que os acusados sejam os únicos organizadores do assassinato e criticaram a falta de transparência na investigação oficial.

Por isso, o procurador-geral da Rússia, Yuri Chaika, assegurou que esclarecer o assassinato de Politkovskaya era “uma questão de honra”.

Em 2009, um júri popular absolveu por unanimidade os irmãos chechenos Ibraguim e Dzhabrail Majmúdov e o oficial do Ministério do Interior Jadzhikurbánov de qualquer envolvimento no assassinato.

Outro policial, Dmitri Pavliuchenkov, já foi condenado a 11 anos de prisão como organizador do assassinato da repórter, que trabalhava desde 1999 para o jornal.

Aparentemente, quando estava em serviço, Pavliuchenkov ordenou a seus subordinados vigiar a jornalista para estabelecer seus padrões diários de atividades.

O assassinato de Politkovskaya, que nasceu em Nova York em 1958, aconteceu quando a jornalista elaborava um artigo sobre as torturas sistemáticas na Chechênia, que foi publicado por seus colegas cinco dias após sua morte. EFE