Atentado contra vacinadores do governo matam 3 agentes no Paquistão

  • Por Agencia EFE
  • 21/01/2014 09h46

Islamabad, 21 jan (EFE).- Três membros de uma equipe de vacinação contra a pólio morreram nesta terça-feira após serem baleados por dois homens de moto na cidade de Karachi, no sul do Paquistão, informou à Agência Efe uma fonte policial.

De acordo com um membro da chefia de polícia para o leste de Karachi, o ataque aconteceu pouco depois das 11h locais (4h de Brasília) no bairro de Qayumabad, onde uma equipe percorria as ruas sem escolta policial.

Os mortos são duas vacinadoras e um dos assistentes da equipe.

Esse é o primeiro atentado ocorrido em 2014 contra os membros da campanha de imunização antipólio no país asiático, enquanto no ano passado morreram 30 vacinadores e escoltas em vários ataques.

Embora os talibãs não costumem reivindicar as ações contra a campanha de imunização, grupos afins a eles e com base no cinturão tribal fronteiriço com o Afeganistão iniciaram em 2012 os atentados contra os funcionários da saúde.

Os fundamentalistas argumentam que tratar uma doença antes de contraí-la é “anti-islâmico”, que a campanha contra a pólio faz parte de um complô ocidental para esterilizar os muçulmanos e que os vacinadores trabalham como espiões para a CIA.

A campanha violenta contra a imunização dificultou muito a proteção das crianças em diversos pontos do país, especialmente no noroeste, e levou a quantidade de casos da doença a disparar.

Após registrar 57 casos em 2012, o número subiu para 91 no ano passado, com o que o Paquistão lidera amplamente a classificação de países com maior incidência da doença, que ataca o sistema nervoso e é de fácil prevenção por vacina oral.

Há uma semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificiou a cidade noroeste de Pesháwar como o principal foco mundial do vírus da pólio e vinculou 90% dos casos registrados no país a uma variação do vírus procedente dessa cidade.

Pesháwar foi a origem, segundo a OMS, de 12 dos 13 casos que houve no vizinho Afeganistão, e vestígios dos vírus surgidos no Paquistão foram encontrados no Egito, na Síria e em Israel.

A OMS lembrou que dos três países onde a doença ainda é endêmica (os outros são Nigéria e Afeganistão), o Paquistão foi o único onde o número de casos aumentou no ano passado. EFE