Ativista defensor de Estado laico é assassinado em Bangladesh

  • Por Agencia EFE
  • 27/02/2015 12h11

Nova Délhi, 27 fev (EFE).- O blogueiro Avijit Roy, conhecido por seus textos de caráter laico e em defesa do livre pensamento em Bangladesh, foi assassinado a facadas e sua mulher ferida gravemente em um ataque cometido na capital Dacca por desconhecidos, informou a polícia à Agência Efe nesta sexta-feira.

Um grupo de indivíduos não identificados atacou ontem o casal nas imediações da Biblioteca da Universidade de Dacca, no bairro de Shahbagh, quando os dois retornavam de uma feira literária, segundo o chefe de polícia local, Mohammad Sarajul Islam.

Roy morreu após ser esfaqueado e sua esposa, Rafida Ahmed Banya, precisou ser hospitalizada mas se encontra “fora de perigo”.

Os dois eram blogueiros e escreviam textos seculares. Roy é o criador da página Mukto-Mona, que promove o livre pensamento. No Paquistão, 90% da população é muçulmana.

Autor de vários livros, o ativista já tinha recebido ameaças pelo Facebook, segundo a polícia. O pai da vítima, Ajay Roy, acusou oralmente grupos fundamentalistas islâmicos pelo ataque. No entanto, ao registrar a denúncia ontem, ele não incluiu essa informação.

Para jornalistas, Ajay manteve a acusação: “Os extremistas estão por trás do assassinato do meu filho e Jamaar os apoiou”, incriminando assim o partido político clandestino Jamaat-e-Islami (JI).

Em fevereiro de 2013, outro blogueiro, Ahmed Rajib Haider, foi assassinado a golpes de facão em Dacca.

Rajib participava então de protestos que pediam a pena de morte para um líder acusado de cometer crimes de guerra durante o conflito de 1971, no qual Bangladesh se tornou independente do Paquistão.

Na época, radicais religiosos começaram a organizar greves e protestos contra julgamentos que polarizaram a população de Bangladesh, até então um país com tradição de tolerância religiosa. As manifestações geraram confrontos e terminaram com centenas de mortos.

Entre os condenados à pena de morte por crimes de guerra se encontram vários líderes do JI. O último deles foi executado na semana passada. EFE