Aumenta para 42 número de mortos em protestos contra lei eleitoral da RDC

  • Por Agencia EFE
  • 21/01/2015 13h48

Nairóbi, 21 jan (EFE).- Pelo menos 42 pessoas morreram durante os protestos contra a reforma da lei eleitoral na República Democrática do Congo (RDC) que, segundo a oposição, pretende manter no poder o presidente do país, Joseph Kabila, informou nesta quarta-feira a Federação Internacional para os Direitos Humanos (FIDH) na África.

Esse foi o número de pessoas mortas nas manifestações iniciadas no domingo calculado pela ONG, divulgado pelo Twitter.

Segundo a imprensa local, a capital Kinshasa voltou a uma relativa calma nesta quarta-feira, após dois dias de manifestações contra a lei, que introduz emendas com o objetivo de adiar as votações previstas para 2016, de modo a prolongar o mandato de Kabila, no poder desde 2001.

O trânsito voltou a circular pelo centro da cidade e as instituições públicas reabriram as portas, em meio a uma grande presença policial, segundo constatou a “Radio Okapi”, emissora promovida pela ONU na RDC.

O porta-voz do governo congolês, Lambert Mende, garantiu que a situação estava “sob controle” no início do dia e encorajou os moradores da capital a retomar a rotina diária.

O opositor Clément Kanku, do Movimento pela Renovação (MR), censurou os “atos de vandalismo” ocorridos nos últimos dias em Kinshasa e estimulou os jovens a se manifestarem “pacificamente”.

Kanku também insistiu para que o governo “escute a voz do povo”, convencido de que “a estabilidade do país está em risco”.

A Missão da ONU na RDC (MONUSCO) convocou políticos nesta quarta-feira a participarem do “debate democrático” e a respeitarem “o direito da oposição de exercer seus direitos e liberdades”.

“Estamos muito preocupados com os repetidos problemas que acompanham os debates sobre a lei eleitoral”, afirmou o diretor da MONUSCO, Marin Kobler, através de seu perfil no Twitter.

O chefe de Estado congolês chegou ao poder após o assassinato do pai, Laurent-Désiré Kabila, em 2001, e depois foi eleito presidente para dois mandatos consecutivos de cinco anos.

Segundo a Constituição da RDC, o presidente não poderia se candidatar a um terceiro mandato, por isso a oposição e os manifestantes veem na nova lei eleitoral uma tentativa de burlar essa regra. EFE