Avança negociação entre governo uruguaio e ex-presos de Guantánamo

  • Por Agencia EFE
  • 14/05/2015 15h24

Montevidéu, 4 de maio (EFE).- As negociações entre os cinco ex-prisioneiros de Guantánamo refugiados no Uruguai e a Chancelaria uruguaia para um convênio sobre sua adaptação e inserção no país sul-americano avançou positivamente, disse nesta segunda-feira à Agência Efe o advogado dos ex-detentos, Mauricio Pígola.

“Estamos avançando nas negociações. Já passamos ao delegado do Estado quais são nossas pretensões sobre o conteúdo do acordo e os pontos que é preciso esclarecer”, disse Pígola, que acrescentou que existe uma “boa predisposição” do governo uruguaio para resolver o assunto o mais rápido possível.

Na reunião mantida hoje por Pígola com seus representados, o advogado repassou a proposta apresentada pelo governo uruguaio no sábado e disse que hoje transferirão à Chancelaria um texto com suas pretensões.

Os pontos do acordo, que incluem manutenção, habitação e aprendizagem do espanhol para os refugiados, permanecerão confidenciais até que seja assinado.

Pígola adiantou que os ex-detentos solicitam que sejam “esclarecidos e especificados” por escrito uma série de direitos que na proposta do governo são mencionados de “grosso modo”.

Um dos temas que vazou foi o da duração do apoio econômico e de hospedagem, que o convênio estipula em um ano.

Mauricio Pígola afirmou que seus clientes estão cansados da situação, mas que estão “esperançosos” com a possibilidade de o assunto se resolver nos próximos dias.

Os sírios Ali Hussein Shaaban, Abd al Hadi Omar Mahmoud Faraj, Ahmed Adnan Ahjam, e o tunisiano Abdul Bin Mohammed Ourgy estão desde 24 de abril em frente a embaixada dos Estados Unidos em Montevidéu para pedir ao país “o necessário para levar uma vida normal como seres humanos”, após passarem 13 anos presos sem acusações em Guantánamo, e reivindicam melhorias em sua situação econômica no Uruguai.

Tanto eles como o sírio Jihad Ahmad Diyab decidiram não assinar um documento entregue pelo Serviço Ecumênico para a Dignidade Humana (Sedhu), organização ligada ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), por conter coisas “que não estão claras”, assinalou na semana passada a Efe o tunisiano Abdul.

O Sedhu é o organismo responsável pelo processo de adaptação e inserção dos seis refugiados.

Os seis ex-prisioneiros chegaram ao Uruguai em dezembro, como parte do compromisso do então presidente do Uruguai, José Mujica, de colaborar com Barack Obama no plano de fechamento dessa prisão para acusados de terrorismo, que fica na base que os Estados Unidos têm em Cuba.

O sexto ex-detento, de origem palestina, já assinou o acordo. EFE

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