Avião com cocaína, interceptado pela FAB, decolou da fazenda de Blairo Maggi

  • Por Jovem Pan com Estadão Conteúdo
  • 26/06/2017 16h31
Bimotor PT-IIJ estava com 500 kg de cocaína e fez pouso forçado após advertência da FAB

No último domingo (25), a FAB (Força Aérea Brasileira) divulgou que havia interceptado um bimotor carregado com 500 kg de cocaína, em Jussara, interior de Goiás. Já nesta segunda-feira (26), o piloto confirmou que o avião havia decolado da fazenda Itamarati do Norte, em Campo Novo de Parecis-MT, que pertence ao grupo Amaggi, do ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

Em nota, a FAB confirma que a interceptação faz parte da Operação Ostium, coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (Comae), da Aeronáutica, em conjunto com a Polícia Federal, e que combate o contrabando na fronteira do Brasil. Segundo o órgão, o piloto informou que o bimotor, prefixo PT-IIJ, partiu da fazenda de Maggi, com destino à Santo Antônio do Leverger (MT). No entanto, mais informações serão levantadas junto a investigação da Polícia Federal.

Confira a nota:

FAB esclarece sobre decolagem de aeronave interceptada PT-IIJ

“O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica esclarece que as informações sobre o local de decolagem da aeronave, matrícula PT-IIJ, interceptada no domingo (25/06), foram fornecidas pelo próprio piloto durante a aplicação das medidas de policiamento do espaço aéreo. A confirmação do local exato da decolagem fará parte da investigação conduzida pela autoridade policial”.

Grupo Amaggi diz não ter ligação com aeronave

O grupo Amaggi, empresa da família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse nesta segunda-feira, 26, em nota, não ter qualquer ligação com a aeronave interceptada pela Força Aérea Brasileira (FAB) com 500 quilos de cocaína e que decolou da Fazenda Itamarati Norte, no município de Campo Novo do Parecis (MT), de propriedade da família. No comunicado, a companhia afirma que “não emitiu autorização para pouso/decolagem” da aeronave “em qualquer uma de suas pistas”.

A Amaggi informa que a parte da fazenda Itamarati arrendada pela empresa tem 11 pistas autorizadas para pouso eventual “(apropriadas para a operação de aviões agrícolas, o que não demanda vigilância permanente), localizadas em pontos esparsos de 54,3 mil hectares de extensão”.

Segundo a Amaggi, a região de Campo Novo do Parecis “tem sido vulnerável à ação de grupos do tráfico internacional de drogas”, dada a proximidade com a fronteira de Mato Grosso com a Bolívia. “Tal vulnerabilidade acomete também as fazendas localizadas na região. Em abril deste ano a Amaggi chegou a prestar apoio a uma operação da Polícia Federal (PF), quando a mesma foi informada de que uma aeronave clandestina pousaria com cerca de 400 kg de entorpecentes (conforme noticiado à época) em uma das pistas auxiliares da fazenda. Na ocasião, a PF realizou ação de interceptação com total apoio da Amaggi, a qual resultou bem-sucedida.”

A empresa diz aguardar o desenrolar das investigações sobre a propriedade da aeronave e as circunstâncias em que ela teria pousado na fazenda Itamarati e decolado de lá e se colocou à disposição das autoridades “para prestar todo apoio possível às investigações do caso”.

*Com informações do Estadão Conteúdo