BCE mantém assistência financeira à Grécia, apesar de anúncio de acordo

  • Por Agencia EFE
  • 13/07/2015 14h05

Frankfurt (Alemanha), 13 jul (EFE).- O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) decidiu nesta segunda-feira manter o teto de fornecimento de liquidez de emergência para as entidades gregas, em 89 bilhões de euros, apesar do anúncio de um acordo que possibilita negociar o terceiro pacote de resgate a Atenas.

“A provisão de liquidez de emergência se manteve no nível atual após uma teleconferência do conselho de governo”, que começou às 11h (8h em Brasília), disse à Agência Efe um porta-voz do BCE.

O principal órgão executivo do BCE decidiu manter a provisão de liquidez de emergência para os bancos gregos até saber com certeza se houve acordo, e apesar de os líderes europeus, após 17 horas de intensas negociações, afirmarem que o caminho ainda está aberto para negociar um terceiro pacote de resgate, estimado em 82 bilhões a 86 bilhões de euros.

Ainda faltam seis parlamentos votarem o terceiro pacote de resgate: Alemanha, Holanda, Áustria, Estônia, Eslováquia e Finlândia, além da Grécia.

A Europa aceitou começar o processo para negociar formalmente um novo resgate de três anos com a condição de que a Grécia realize primeiro duras reformas, que são inclusive piores do que as oferecidas nas negociações anteriores à convocação do referendo.

Enquanto as negociações estiverem em curso, o BCE manterá o máximo da provisão de liquidez de emergência, de quase 89 bilhões de euros, e poderá elevar esse valor se faltar dinheiro aos bancos gregos, previu o economista-chefe de Commerzbank, Jörg Krämer.

“O acordo de hoje pode dar liberdade ao BCE para aumentar o teto da provisão de liquidez de emergência e permitir aos bancos gregos superar o limite de saque de 60 euros diários”, depois de o parlamento grego votar a nova propostas, segundo os analistas da UniCredit.

A Grécia deve transferir 50 bilhões em ativos estatais para serem privatizados, recapitalizar os bancos – por 25 bilhões de euros.

Este fundo será administrado pelas autoridades gregas sob a supervisão de instituições europeias.

Mas até o Mecanismo de Estabilidade Europeu (MEE) poder iniciar as negociações do terceiro resgate a Grécia necessita de um financiamento ponte para cumprir suas obrigações imediatas.

A Grécia deve pagar ao BCE 3,5 bilhões de euros em 20 de julho pelos bônus que a entidade monetária adquiriu no primeiro programa de compra da dívida soberana.

No segundo semestre Grécia vencem parcelas que somam 26,6 bilhões ao BCE, ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e aos compradores de bônus de curto prazo (T-Bills).

O Eurogrupo, formado pelos ministros de Economia e de Finanças dos países do euro, decidirá na reunião de hoje sobre este financiamento imediato.

Não há mais do que um “frágil meio acordo”, avaliou Holger Schmieding, economista do banco alemão Berenberg .

O Conselho do BCE se reunirá de novo na quarta-feira para discutir a política monetária da zona do euro e a situação da Grécia.

O presidente do BCE, Mario Draghi, dará uma entrevista coletiva na quinta-feira para informar da decisão sobre as taxas de juros para a zona do euro, que estão no mínimo histórico de 0,05%.

O BCE mantém desde 26 de junho o máximo de provisão de liquidez de emergência, mas não assume responsabilidade por este valor, que é do Banco da Grécia.

No entanto, o Conselho do BCE, do qual faz parte o governador do Banco da Grécia, pode decidir sobre este fornecimento de liquidez se ver riscos para a estabilidade financeira.

Este fornecimento de liquidez de emergência é mais caro do que as operações de refinanciamento ordinário, com juros de 1,55%, que as entidades gregas pagam ao Banco da Grécia, em vez dos 0,05%.

A decisão do BCE de manter o teto máximo que as entidades podem pedir emprestado obrigará à Grécia a fechar os bancos por mais tempo.

Há duas semanas o país decretou feriado bancário e estabeleceu controles de capital que limitam os saques a 60 euros por dia.

A Europa também abriu a porta para uma reestruturação da dívida da Grécia, mas não a uma remissão da dívida nominal. EFE