Bispos dizem que cristãos são perseguidos no Oriente Médio como outros muitos

  • Por Agencia EFE
  • 02/04/2014 15h24

Jerusalém, 2 abr (EFE).- A Assembleia dos bispos católicos da Terra Santa, equivalente à conferência episcopal, acredita que os cristãos são perseguidos no Oriente Médio, mas tanto quanto são os membros de outras confissões, incluindo os das distintas correntes do Islã.

“Não há dúvida que muitos extremistas (na região) consideram os cristãos infiéis, inimigos, agentes de potências hostis estrangeiras ou que, simplesmente, veem neles um alvo fácil para a extorsão”, diz um comunicado divulgado nesta quarta-feira pela Comissão de Paz e Justiça da Assembleia.

O documento, que aborda a situação política e religiosa na região por ocasião da próxima visita do papa Francisco, indica que a Primavera Árabe, a partir de 2011, “abriu o caminho aos grupos e forças extremistas em nome de uma interpretação política do Islã que está causando estragos em muitos países”.

“No entanto, em virtude da verdade, devemos destacar que os cristãos não são as únicas vítimas desta violência (…) Os muçulmanos seculares (…) estão sendo assassinados neste caos”, acrescenta ao lembrar, além disso, que em regiões xiitas “os sunitas são assassinados” e vice-versa.

Wadi Abu-Nassar, porta-voz da instituição, explicou à Agência Efe que a visita do papa despertou muito interesse entre jornalistas de todo o mundo sobre a situação dos cristãos na Terra Santa e nos países do Oriente Médio. Por esse motivo, a Assembleia decidiu fazer este manifesto para pôr fim às especulações.

Francisco, que será o quarto papa a peregrinar na zona, chegará à região no final de maio para uma viagem de três dias e passará pelos lugares santos na Jordânia, a Palestina e Israel.

Sobre a situação dos cristãos na região, um dos assuntos que Francisco abordará com os líderes israelenses, jordanianos e palestinos, os bispos da Terra Santa lembram seu sofrimento junto ao de outros muitos povos.

“Sim, os cristãos são às vezes perseguidos exatamente por serem cristãos (…), mas são vítimas junto a outros muitos que sofrem e morrem nestes tempos de morte e destruição”, indica a nota nesse sentido, ao advertir em particular da situação no Egito, Iraque e Síria.

E reconhece que os conflitos nesses países explodiram porque “os povos do Oriente Médio sonharam com uma nova era de dignidade, democracia, liberdade e justiça social” e que, sob os “regimes ditatoriais” anteriores, “os cristãos viveram em relativa segurança”.

Em linha com este argumento, em um eloquente exame de consciência, a conferência episcopal acredita que os cristãos deveriam ter alçado antes sua voz contra as injustiças nesses países e ter exigido reformas.

“Cristãos e muçulmanos devem estar juntos contra estas novas forças de extremismo e destruição porque todos aqueles que buscam dignidade, democracia, liberdade e prosperidade estão sendo atacados”, insistem perante a nova situação. EFE