BNDES: estrangeiro pode recorrer à linha de crédito de revitalização para Oi

  • Por Estadão Conteúdo
  • 10/11/2016 15h12
Logo da Oi visto em São Paulo. 02/10/2013 REUTERS/Nacho DoceLogo da empresa de telefonia Oi visto em São Paulo

Se um investidor estrangeiro tiver interesse na compra do controle da operadora de telefonia Oi, ele poderá recorrer ao Programa de Incentivo à Revitalização de Ativos Produtivos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), afirmou a diretora de Mercado de Capitais da instituição de fomento, Eliane Lustosa.

O banco lançou o programa em agosto. Com vigência até agosto de 2017, o programa terá R$ 5 bilhões para apoiar investimentos em “ativos economicamente viáveis, detidos por empresas em recuperação judicial, extrajudicial ou falência ou em crise econômico-financeira e elevado risco de crédito”, como informou o banco em agosto.

O BNDES já havia sinalizado que a Oi estaria apta ao programa. Um dos interessados em comprar a operadora é o bilionário egípcio Naguib Sawiris. Em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, no mês passado, Sawaris criticou o plano de recuperação judicial apresentado à Justiça pela Oi. “Basicamente, é um plano que assume a redução da dívida como a solução principal”, disse.

O plano inclui a possibilidade de vender a unidade móvel. Para o empresário, a companhia deve se desfazer apenas dos ativos não estratégicos. O egípcio fechou acordo de colaboração mútua com os bondholders da tele para avaliar um plano de recuperação judicial alternativo – para fazer a sua proposta valer, o egípcio terá que convencer os atuais acionistas da companhia, uma vez que a lei no Brasil prevê a apresentação do documento pela empresa.

O BNDES é sócio e importante credor da Oi. O banco de fomento responde por R$ 3,3 bilhões do R$ 65,4 bilhões em dívidas da operadora de telefonia. Segundo Eliane, o trabalho da BNDESPar, empresa de participações do BNDES, visa influenciar a Oi a levar as discussões sobre os rumos da companhia para o conselho de administração.

“O banco lançou o plano de revitalização de ativos. Não é um plano para financiar sócios de empresas com problemas. Não é um hospital. O objetivo é apoiar potenciais compradores ou terceiros que tenham as garantias adequadas e a capacidade gerencial”, afirmou Eliane, em entrevista ao Broadcast. Questionada, a executiva disse que “não há restrição” a investidores estrangeiros, desde que eles atuem no País. 

JBS

A decisão de barrar a reestruturação societária da processadora de carnes JBS, tomada pelo BNDES e anunciada pela companhia no último dia 27, surpreendendo o mercado, foi em nome do melhor interesse da empresa, afirmou Eliane.

Segundo a executiva, foi feita uma análise profunda da operação. “O banco, e isso vale para o investidor institucional em geral, possui um papel diferenciado porque tem acesso ou a capacidade instrumental de fazer uma análise profunda”, disse Eliane, em entrevista ao Broadcast. “Podemos nos dar ao luxo de fazer uma análise bastante fundamentalista dos detalhes, agora e mais adiante, da empresa”, completou.

Para Eliane, o movimento das cotações das ações da JBS pode não ser um bom termômetro sobre a proposta de reestruturação societária. “O mercado reage nem sempre com toda a informação necessária. Às vezes, ele valoriza ou desvaloriza no boato, na percepção. A BNDESPar é um investidor de longo prazo. Nossa avaliação é fundamentalista”, disse a executiva.

“Há discussões em relação à forma como a operação foi colocada. Não queria entrar em detalhes, mas essa discussão foi feita com a empresa. Algumas características do desenho da operação implicavam uma estrutura sobre a qual tínhamos alguns questionamentos”, disse Eliane.

Vale

O BNDES não entra nas discussões sobre a mudança no comando da diretoria da mineradora Vale, afirmou Eliane. Segundo a executiva, o banco participa das negociações em torno do novo acordo de acionistas e quer levar processos decisórios da companhia para o conselho de administração, e não apenas deixá-los no âmbito das reuniões prévias de sócios, previstas no acordo.

Tanto o acordo de acionistas da Vale quanto o mandato de seu presidente, Murilo Ferreira, vencem ano que vem. Segundo Eliane, desde que a nova diretoria do BNDES tomou posse, em junho, o banco tem participado com os outros sócios na discussão da renovação do acordo.

“Em paralelo a isso, está ocorrendo uma discussão bastante positiva, junto com os demais sócios, Previ capitaneando, sobre trazer a governança, o processo decisório, para o âmbito do conselho de administração”, afirmou Eliane, após lembrar que o acordo de acionistas da Vale prevê reuniões prévias entre os sócios.