“A Lava Jato é a chance para as empresas corrigirem suas falhas”, diz monitor da Odebrecht

  • Por Jovem Pan
  • 15/08/2017 13h00 - Atualizado em 15/08/2017 13h27
Yazbek afirma que as falhas nas empresas não são apenas relacionadas à corrupção

Responsável por acompanhar o cumprimento das determinações previstas no acordo de leniência assinado pela Odebrecht em 2016, o advogado Otávio Yazbek participou do painel Transparência e Compliance: os negócios no Brasil pós-Lava Jato no Fórum Mitos & Fatos – Justiça Brasileira – e disse que a Operação Lava Jato tem um papel fundamental na economia brasileira.

“Ouvimos falar de controle interno, de complaice há mais de 20 anos. Mas, muito do que se fala é retórico. Vemos muitas falhas nas grandes empresas. Falhas não apenas relacionadas a corrupção. Falhas administrativas. E a Lava Jato está dando essa chance para as empresas corrigirem essas práticas. Esse é o verdadeiro desafio que nós temos”.

Para Walfrido Jorge Warde Jr, sócio fundador do Warde Advogados e presidente do Instituto para a Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE), que também integrou o painel do Fórum, os escândalos de corrupção e as ressecções impedem que a economia brasileira decole e faça apenas “voos de galinhas”. No entanto, o advogado acredita que esse cenário possa ser diferente no pós-Lava Jato.

“A minha geração acompanhou uma série de escândalos de corrupção no país. Nesse período, vimos a economia do país fazer uma série de ‘voos de galinha’. Queríamos muito que isso chegasse ao fim. Sei que estamos no caminho, mas teremos muitas surpresas ainda. Esperamos que a corrupção acabe. Se isso não acontecer não é possível construir um país”.

O advogado e professor aposentado de Direito Comercial da USP, Modesto Carvalhosa, participante do painel no Mitos & Fatos, foi além e disse que a solução para a crise econômica do país passa também pelas mudanças na constituição brasileira. “Nós precisamos nos livrar dessa situação, de sermos comandados por organizações criminosas. Precisamos de uma reforma estrutural no Brasil, de uma nova constituição. Se não mudar, perde sua identidade”.

Carlos Fernando Lima, procurador da República e integrante da Força Tarefa da Lava Jato, foi enfático em sua participação no painel do Fórum. Segundo o procurador, é necessário introduzir a moralidade no sistema político brasileiro, para que a economia do país volte a crescer.

“Nós temos que modificar e introduzir a moralidade no sistema político brasileiro. A corrupção acaba drenando o país e impede que sua economia cresça. Precisamos combater a corrupção e em formas para auxiliar o país a crescer. Falam em reformas, mas será que só elas serão suficientes? Precisamos enfrentar e acabar de uma vez por todas com esse sistema corrupto e corrompido”, concluiu Lima.