Abdelmassih tem prisão domiciliar suspensa pela Justiça de SP

Condenado por 48 estupros, ex-médico pode ter fraudado laudos que permitiam cumprir pena fora da cadeia

  • Por Jovem Pan
  • 13/08/2019 16h29
Roger Abdelmassih - Fotos Públicas

O ex-médico Roger Abdelmassih teve a prisão domiciliar suspensa nesta segunda (12) pela Justiça de São Paulo após suspeitas de fraudes nos laudos médicos que permitiam o cumprimento da pena fora da cadeia. Ele foi condenado a 181 anos de prisão por 48 estupros contra 37 mulheres.

A decisão da juíza Andrea Barreira Brandão, da 3ª Vara de Execuções Penais, de suspender o atual benefício de prisão domiciliar do ex-médico tem como base os laudos expedidos pelo também médico e preso Carlos Sussumu, que teria fraudado as informações de saúde de Abdelmassih.

Segundo a magistrada, há “graves denúncias que constam deste pedido de providências, apontando indícios de que o sentenciado fez uso de seus conhecimentos médicos para ingerir medicações que levaram a complicações e descompensações intencionais, a fim de alterar a conclusão da perícia judicial”. “Necessário se faz que o sentenciado permaneça em ambiente controlado, recebendo seu arsenal terapêutico de forma regular e sob supervisão médica, até a realização de nova perícia judicial”, anotou.

A denúncia “grave” à qual a magistrada se refere foi revelada pelo livro ‘Diário de Tremembé’, do ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos, Acir Filló, que está preso na penitenciária no interior de São Paulo.

Ele afirma que Sussumu ajudou Abdelmassih a manipular seu estado de saúde para enganar a perícia. Segundo o livro, ele teria admitido a fraude. A venda do livro foi suspensa por decisão da juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani.

Estupros

Especialista em reprodução humana, Roger Abdelmassih chegou a ser condenado em 2010 a 278 anos de reclusão por 48 crimes de estupro contra 37 pacientes, entre 1995 e 2008.

Uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, porém, permitiu que recorresse da sentença em liberdade. Apesar da revisão posterior da sentença para 181 anos de prisão, por lei ele só ficaria preso por até 30 anos.

Inicialmente, foram registrados 26 casos de pacientes que acusavam Abdelmassih de estupro. Os relatos das vítimas diziam que os abusos aconteciam durante as consultas na clínica de fertilização do ex-médico.

Em 2011, com a decretação de sua prisão, ele foi considerado foragido. Três anos depois, acabou preso pela Polícia Federal em Assunção, no Paraguai.