Advogado de Sarney e Jucá critica pedido de Janot: “prisão não pode ser regra”

  • Por Jovem Pan
  • 07/06/2016 12h31
Agencia Brasil Kakay

O advogado de Romero Jucá e José Sarney, Antônio Carlos Almeida Castro, criticou o pedido de prisão de Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney, feito pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot.

Janot alega que houve uma tentativa de obstruir a Lava Jato. Para o advogado, não existe nas gravações de Sérgio Machado qualquer fala que incrimine o seus clientes: “prefiro acreditar que esse pedido não existe. (…) Não há o que se possa imaginar que aquelas conversas são uma tentativa de obstrução. (…) Pedir a prisão de um ex-presidente da república, porque ele foi gravado não comenta nada que não seja republicano?”.

Kakay, como é conhecido o advogado, alega que o que existiu nas conversas foi um posicionamento crítico, mas ninguém tramou uma forma de parar a Lava Jato: “sou advogado, elogio a Lava Jato, o Sérgio Moro, mas sou crítico dos excessos da Lava Jato, não tenho o direito de criticar? De assinar artigos críticos? Vivemos um momento em que a prisão preventiva virou regra. Imagina o que é tentar fazer a prisão de um ex-presidente porque ele comentou algo sobre uma operação. Nada que não pudesse criticado. Prefiro acreditar que a notícia não seja verdadeira, mas tenho confiança no STF. E quem impediria a Lava Jato hoje em dia?”.

Castro, que está em Londres a caminho do Brasil, solicitou as gravações e reitera a gravidade do caso: “foram feitas de forma deliberada, na forma de uma opinião, isso tem certa gravidade. O presidente do Senado, um ex-presidente da República, um senador em exercício, e do que conheço, do que li e ouvi não há nenhum fundamento. Prisão não pode ser regra. Acho lamentável a banalização da prisão preventiva no Brasil”.

Ao ser questionado sobre as semelhanças com a gravação de Delcídio Amaral, Castro diz que prefere não comentar já que defende o banqueiro André Esteves, envolvido no caso, mas afirma que o tipo de conversa era diferente: “não dá para comparar. Na gravação do Delcídio houve uma conversa sobre fuga, um montante financeiro. Aqui são senadores conversando em tese sobre as dificuldades de Sérgio Machado”.

Kakay diz que cabe ao legislativo deliberar sobre os projetos de lei, como por exemplo, sobre a legalidade de alguém que está preso realizar uma delação premiada: “qual o problema de votar um projeto de lei, em que cada senador vota de acordo com a sua consciência? (…) Estão criminalizando o ato político, a hipótese de poder ou não fazer a delação estando preso”.