Após 7 anos de obras, Régis Bittencourt inaugura duplicação na Serra do Cafezal

  • Por Estadão Conteúdo
  • 19/12/2017 14h40
Beth Santos/Secretaria Geral da PRNovas pistas na Serra do Cafezal, na Rodovia Régis Bittencourt, possuem 30,5 quilômetros que conectam os municípios de Juquitiba (SP) e Miracatu (SP)

Foi entregue nesta terça-feira, 19, a duplicação da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), que liga as regiões Sul e Sudeste do País. O trecho inaugurado nesta terça fica na Serra do Cafezal, que concentra os trechos mais sinuosos da rodovia, e começou a ser feito em 2010.

Os 10 quilômetros entregues pela concessionária Autopista Régis Bittencourt, da Arteris, marcam a última etapa de abertura de novas pistas na Serra, de um total de 30,5 quilômetros que conectam os municípios de Juquitiba (SP) e Miracatu (SP). Os trechos vão do 349 km ao 354 km e do 357 km ao 362 km. A liberação total do tráfego, no entanto, só acontece nesta quarta-feira, 20, porque entre terça e quarta a administradora fará readequações de sinalização da pista antiga (que era de mão dupla) para torná-la de sentido único.

O trecho de 402,6 quilômetros da BR-116 sob responsabilidade do setor privado liga São Paulo a Curitiba, representando o principal eixo logístico entre as regiões Sul e Sudeste e também uma via de escoamento de mercadorias vindas de Argentina, Uruguai e Paraguai. De acordo com a Arteris, 127 mil veículos circulam diariamente na rodovia, sendo 60% desse tráfego composto por caminhões. Na Serra do Cafezal, o tráfego gira em torno de 25 mil veículos diários.

Serra do Cafezal

A melhoria das condições de circulação na Régis Bittencourt, apelidada de “rodovia da morte” na década de 1980, era esperada há pelo menos 40 anos. As obras na estrada começaram a tomar fôlego em 2008, quando a Autopista Régis Bittencourt assumiu a BR-116 após ter vencido leilão da segunda etapa de concessões federais, do governo Lula.

A duplicação da Serra do Cafezal começou a ser feita em 2010. Problemas com licenciamento ambiental, porém, atrasaram as obras, que demandaram investimentos de R$ 1,3 bilhão, com recursos do aporte de acionistas do Grupo Arteris (Abertis e Brookfield) e de linhas de financiamento de longo prazo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As obras nos 30 quilômetros da Serra incluem ainda quatro túneis, três pontes, 36 viadutos e duas passarelas para pedestres.

Para se ter uma ideia do tempo do atraso, toda a rodovia, com 402 km de pista simples, de São Paulo e Curitiba, foi construída em cinco anos, a partir de 1961. Na década de 1990, a duplicação entrou no programa Avança, Brasil, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com a previsão de término em 2000. O processo de licenciamento da Serra foi um dos mais longos do Brasil e obrigou a que o projeto fosse refeito várias vezes para poupar, desde abrigos de animais como a onça-parda, até pequenas nascentes.

Ministros

Presente na cerimônia de entrega em Miracatu, no interior de São Paulo, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco, disse que a entrega do último trecho da duplicação da Serra do Cafezal simboliza o Brasil que “queremos deixar para trás”. “Essa obra começou a ser pensada e executada em sua parte administrativa no século passado, na década de 1990. A entrega de hoje retrata o Brasil que queremos deixar para trás, o Brasil da burocracia, da lentidão, dos privilégios”, afirmou, em cerimônia organizada no Túnel 1 do trecho que acabou de ficar pronto.

Durante seu discurso, Moreira Franco reiterou que o governo de Michel Temer tem agido para superar os problemas do Brasil “do passado”.

Também participaram da entrega do trecho final duplicado o ministro dos Transportes, Portos e Aviação, Maurício Quintella, o vice-governador de São Paulo, Márcio França, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Jorge Bastos, o presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), César Borges, o presidente da Arteris, David Díaz, e outras autoridades locais.