Após decisão do STF, funcionários dos Correios vão ampliar greve

Corte formou maioria para manter a validade do Acordo Coletivo de Trabalho com os trabalhadores por apenas um ano; para secretário da Fentect, determinação foi ‘política’

  • Por Carolina Fortes
  • 21/08/2020 21h39 - Atualizado em 21/08/2020 21h41
Fotos PúblicasCorreios afirmaram que realizarão neste sábado, 22, e domingo, 23, mutirões de entrega em todo o país

Depois do Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria nesta sexta-feira, 21, para manter a validade do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) com os funcionários dos Correios por apenas um ano, o secretário de comunicação da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect), Emerson Marinho, afirmou que a greve continua e deve ser ampliada a partir de segunda-feira. “Não temos outra alternativa a não ser ampliar a mobilização para que possamos restabelecer os nossos direitos que firmamos há mais de 30 anos em acordo”, disse à Jovem Pan.

Com a decisão do STF, a negociação de 2020 não terá automaticamente os mesmos termos da do ano passado, o que representa uma derrota para os trabalhadores. O presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, foi o relator da pauta e votou pela manutenção da liminar, ou seja, para que o acordo tenha apenas duração de um ano. Acompanharam o entendimento de Toffoli os outros cinco ministros que votaram: Edson Fachin, Rosa Weber, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Marco Aurélio. Segundo Ribeiro, “a decisão foi recebida com muita surpresa” e “cria uma insegurança jurídica no ordenamento no que diz respeito a questões trabalhistas”, que deveriam ser de competência do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Para o secretário, não passou de uma “decisão política”. “Ficamos muito perplexos porque vai contra tudo aquilo que está no ordenamento jurídico, é uma decisão política. Os ministros seguiram o voto do relator sem considerar a manifestação da Procuradoria-Geral da República e isso entra em conflito muito grande”, afirmou Ribeiro. Entre as reivindicações do grupo grevista está o restabelecimento de direitos que vêm sendo cortados pelos Correios desde o dia 1º de agosto, como o período de 2 horas por dia para mães amamentarem seus filhos e o corte no auxílio para filhos de empregados com necessidades especiais.

Em nota, os Correios afirmaram que “a diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período — dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida”. No entanto, Ribeiro alega que a empresa tem obtido lucros e que é “autossustentável”. ” Isso nada mais é do que um argumento pra sucatear a empresa para chegar ao ponto final, que é vender para a iniciativa privada”, disse.

Mutirão de entregas no final de semana

Em comunicado, os Correios afirmaram, também, que realizarão neste sábado, 22, e domingo, 23, mutirões de entrega em todo o país. “A força-tarefa faz parte do plano de contingência da empresa, que visa minimizar os impactos à população diante da paralisação parcial do efetivo. Com o apoio dos empregados da área administrativa, que vão auxiliar na operação, e o remanejamento de veículos — entre outras medidas, a expectativa da empresa é realizar a entrega de um volume quatro vezes maior de encomendas, em fins de semana”, finalizaram.