Marun ameniza fala em CPMI e diz que assessores viram renúncia de Temer como “melhor solução”

  • Por Thiago Navarro/Jovem Pan
  • 13/11/2017 12h37 - Atualizado em 13/11/2017 13h31
Agência Câmara Agência Câmara Os assessores chegaram a se abalar", disse Marun (foto) sobre a delação da JBS, que levantou a hipótese de renúncia do presidente

Após dizer em reunião secreta da CPMI da JBS que Joesley Batista “quase conseguiu fazer o presidente (Michel Temer) renunciar”, como revelou o jornal Folha de S. Paulo, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) assumiu que “assessores”, que “chegaram a se abalar”, e “forças políticas” sugeriram o ato ao presidente, mas voltou atrás e disse que Temer “jamais” cogitou deixar o cargo, devido à sua “convicção de inocência”.

A articulação política pela renúncia do presidente ocorreu após o vazamento da delação que o acusava de aprovar a compra do silêncio de Eduardo Cunha na prisão. Temer disse “tem que manter isso, viu” após Joesley Batista, da JBS, dizer que estava “de bem” com Cunha, em conversa gravada e não registrada com o presidente no Palácio do Jaburu. A gravação e outras provas ensejaram duas denúncias contra Temer, por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça, barradas pela Câmara dos Deputados.

“Talvez eu tenha exagerado na fala (na sessão secreta da CPMI), mas não exagerei na gravidade do que aconteceu. Houve uma tentativa de golpe de Estado e alguns assessores e algumas forças políticas chegaram a entender que essa (renúncia) era a melhor solução, mas a posição do presidente Temer e dos parlamentares e ministros mais próximos foi no sentido de que isso não poderia acontecer”, afirmou Carlos Marun nesta segunda (13) à Jovem Pan. Ele citou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) como autoridades que defenderam publicamente a renúncia de Temer.

“Ele (Joesley) quase derrubou o presidente naquele 17 de maio (dia do vazamento de parte da delação pelo jornal O Globo). O complô era pro dia 18 o presidente renunciar. Quase conseguiu fazer o presidente renunciar! [eleva a voz] E quem tá lhe falando é quem tava dentro do gabinete!”, havia dito Marun durante sessão secreta da CPMI para ouvir o advogado e delator da JBS Francisco de Assis e Silva, em outubro.

Agora, o deputado “lamenta esses vazamentos” (da sessão secreta da CPMI) e ameniza. “Naquele momento o presidente recebia muita gente reservadamente ainda na ala do gabinete privado que ele tem dentro do seu próprio gabinete, mas eu não cheguei a testemunhar ninguém falando com ele a respeito disso”, afirmou. “Nos momentos em que eu conversei com ele (Temer), se mostrava indignado, mas não chegou a jamais fazer nenhuma consulta a mim ou a outros companheiros que ali estavam a respeito desse tema (renúncia)”.

Marun relata que participou de reunião com Temer na manhã do dia 18 de maio, das 10h30 a 12h30, com a presença do líder do PMDB Baleia Rossi, Romero Jucá, ministro Moreira Franco, ministro da Integração Nacional Hélder Barbalho e outros ministros e assessores do presidente. Marun diz que discordou de Barbalho, que defendia que o pronunciamento de Temer fosse adiado.

“A fala do presidente foi adiada para a tarde para que o presidente pudesse ouvir o áudio, um direito mínimo e básico que foi negado ao presidente da República e, para nossa surpresa, esse áudio não foi disponibilizado”, afirmou Marun.

Noticiou-se em junho que a renúncia de Temer foi sugerida por auxiliares e contida no dia do vazamento por aliados próximos, como Moreira, Jucá e Eliseu Padilha, todos também acusados na Lava Jato. O humor do presidente só mudou quando ele recebeu informação preliminar do conteúdo do áudio de Joesley. Como o presidente não viu uma afirmação categórica de Temer para comprar o silêncio de Cunha, ele teria decidido permanecer no cargo.

Embora o áudio da conversa com Joesley no Jaburu tenha vazado na imprensa logo após o pronunciamento adiado de Temer, às 16h do dia 18, Marun negou que o presidente tenha tido acesso a “qualquer tipo de informação preliminar a respeito do conteúdo do áudio”.

Marun negou também a existência de uma carta de renúncia, cuja escrita foi informada por outros órgãos da imprensa. “Eu nunca vi nenhuma carta de renúncia. Até porque se alguém tivesse me apresentado, eu a teria rasgado, até porque obviamente eu não estive do lado de alguém que naquele momento estivesse abalado a ponto de sugerir isso ao presidente”, afirmou.

“O que pesou e foi determinante foi a convicção do presidente Temer na sua inocência, a sua convicção de que não havia falado em momento algum aquilo que diziam que ele teria dito”, discursou o deputado Carlos Marun.

Em nota oficial, Marun diz também que vai pedir “investigação rigorosa” sobre o vazamento do conteúdo da sessão secreta da CPMI.