Após encontro entre Temer e Pence, Brasil e EUA divergem sobre Venezuela

  • Por Estadão Conteúdo
  • 26/06/2018 18h04
EFE/Cristian Hernández"Os Estados Unidos serão solidários ao povo da Venezuela e continuarão a trabalhar para responsabilizar Maduro", afirmou o vice-presidente dos EUA
Nesta terça-feira (26), em visita ao Brasil, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, disse que é preciso agir com mais firmeza em relação à Venezuela e defendeu medidas de isolamento do governo de Nicolás Maduro.
“Chegou a hora de agir com mais firmeza. Como o presidente Trump deixou claro, os Estados Unidos não serão meros observadores da situação”, frisou Pence, que agradeceu o “forte apoio” do Brasil às sanções econômicas adotadas por seu país e conclamou a liderança do Brasil em outras iniciativas para isolar o regime de Caracas.
Na avaliação de Pence, Maduro construiu uma “ditadura brutal”, prendeu a oposição e negou ajuda aos mais vulneráveis. “Os Estados Unidos serão solidários ao povo da Venezuela e continuarão a trabalhar para responsabilizar Maduro”, afirmou. “O povo venezuelano merece coisa melhor”.
Entretanto, o ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes, afirmou que o Brasil não vai impor sanções contra a Venezuela.
“O Brasil não aceita sanções. Para nós, o tema da Venezuela está colocado onde deveria, na OEA (Organização dos Estados Americanos). Nós somos contra decisões unilaterais”, disse.
“Eles têm posição muito firme e não coincide exatamente com a nossa”, avaliou Aloysio. O ministro garantiu que o governo brasileiro vai “até onde quiser ir”.
Imigrantes

Aloysio disse que houve avanços nas questões humanitárias e que vai trabalhar para que haja a união das famílias brasileiras que foram separadas na fronteira do país “o mais cedo possível”. O ministro destacou que voltar para o Brasil ou não é uma decisão das famílias, mas aqueles que quiserem ficar nos EUA precisarão ter autorização judicial e alguém para acolhê-los.

“O Brasil poderá, inclusive, buscar as crianças se essa for a decisão da família. Muitas crianças já estão encontrando abrigo na casa de parentes. Essa decisão é da família. Se quiserem, o presidente Michel Temer colocou os meios que temos à disposição”, disse.

Aloysio afirmou que não viu o discurso de Pence como uma forma de intimidação do governo brasileiro, e sim como um pedido para que a legislação dos EUA seja respeitada. “Ele quis dizer “respeitem a lei norte americana”. E é verdade. Quem quiser vir para o Brasil também precisa respeitar a legislação brasileira(. .) Mas a legislação deles tem esse efeito que consideramos cruel e estamos trabalhando para que filhos possam se encontrar com pais”, destacou.

O tema das crianças separadas dos pais, segundo Aloysio, foi o que mais demorou para ser tratado durante reunião do vice dos EUA com o presidente Michel Temer.