Após STF autorizar abertura de inquérito, Aloysio Nunes declara: “não tenho nada a ver com essa gente”

  • Por Jovem Pan
  • 07/09/2015 10h43
Senador Aloysio Nunes durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça de Luiz Edson Fachin, indicado pela presidenta Dilma Rousseff para ministro do STF (Marcelo Camargo/Agência Brasil) Marcelo Camargo/Agência Brasil Senador Aloysio Nunes Ferreira

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, autorizou a abertura de inquérito contra o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). A investigação será feita com base nas informações do empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, em delação premiada.

Segundo Pessoa, Aloysio Nunes teria recebido R$ 300 mil de forma oficial e mais R$ 200 mil em dinheiro provindo de caixa dois para sua campanha ao Senado em 2010.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan, o senador confirmou o recebimento de recursos para sua campanha, mas ressaltou a regularidade destas. “Recebi da UTC recursos para a minha campanha em agosto de 2010, mas eu não pedi a UTC e sim para a Constran, que é dirigida por um velho amigo meu e que sempre participou das minhas campanhas”, declarou.

De acordo com Pessoa, as doações, oficiais ou não, eram pagamentos de propina para obtenção de contratos com a Petrobras. Aloysio Nunes negou e questionou como ele, sendo da oposição, poderia influenciar negócios na estatal. “É uma coisa absurda. É uma suposição. É um absurdo completo achar que eu poderia influenciar negócios da Petrobras. Fui um dos primeiros senadores a pedir a abertura da CPI da Petrobras. Eu não tenho nada a ver com essa gente”, ressaltou.

Aloysio Nunes reiterou que não há nada de ilegal e que a legislação brasileira permite a contribuição de pesssoas jurídicas à campanhas. “A imensa contribuição eleitoral é feita por contribuição de pessoas jurídicas. O TSE [Tribunal Superior Eleitoral] aprovou as minhas contas”, disse.

Neste sábado (05), em sua página no Facebook, o senador Aloysio Nunes Ferreira considerou “simplesmente absurda” a suposição de que ele, na condição de oposicionista ao Governo, poderia interferir para favorecer negócios a Petrobras.

“A investigação das contas da minha campanha ao Senado em 2010, pedida pelo dr. Janot [Rodrigo Janot, procurador-geral da República], representa um desvio do verdadeiro foco da Operação Lava Jato que, como todos sabem, é o conluio entre empresários, políticos e dirigentes da Petrobras”, disse. “Podem investigar à vontade, pois nada tenho a ver com essa sujeira. Mas que investiguem mesmo: que investiguem tudo e todos”, acrescentou.

Já o senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, declarou que o partido recebeu com surpresa a abertura de inquérito sobre as campanhas de 2010 de ALoysio Nunes, “um dos mais combativos líderes da oposição no país”.

“O PSDB, apesar de não temer qualquer tipo de investigação, chama a atenção para o risco dessas investigações desviarem-se do seu foco principal, que é a responsabilização daqueles que, no PT e partidos aliados, montaram um complexo esquema de corrupção que assaltou os cofres da Petrobras e financiou a manutenção desse grupo no poder”, disse Aécio em nota publicada no Facebook.

Aécio destacou ainda que o PSDB aguardará “com serenidade” o desenrolar do processo, “atentos a que ele não fuja de seu real objeto”.

*Ouça a entrevista completa no áudio acima