Armar pessoas não minimiza problemas na segurança, diz presidente da OAB

  • Por Jovem Pan
  • 12/12/2018 14h56
Nilton Fukuda/Estadão ConteúdoClaudio Lamachia participou de encontro com governadores eleitos de todo o País nesta quarta

Um dia depois de seis pessoas morrerem em ataque a tiros na Catedral Metropolitana de Campinas (SP), o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, afirmou que liberar o porte e a posse de armas à população não deve resolver problemas na área de segurança no País.

O que aconteceu em São Paulo é extremamente preocupante e o Brasil precisa ter políticas públicas para o combate desse tipo de situação. Mas não vejo armar as pessoas como uma forma de minimizar problemas na área de segurança pública”, disse em entrevista coletiva nesta quarta-feira (12), após evento com governadores eleitos para discutir a violência.

Lamachia ainda apontou um caminho diferente para enfrentar o crime. Para ele, o grande problema da segurança pública nacional é decorrente da falta de controle de prisões, que seriam “o celeiro do crime”.

“Precisamos que o setor público retome a administração do sistema penitenciário. Vimos ao longo dos anos, em vários governos, a falta de visão efetiva na gestão dos presídios. Temos pessoas que deveriam estar presas sob tutela e controle do Estado, mas essas pessoas dão ordens [de dentro da cadeia] para o crime organizado lá fora”, afirmou.

‘São coisas completamente diferentes’

O ministro da transição de governo, Onyx Lorenzoni, disse na terça-feira (11) que o ataque a tiros não vai mudar a disposição de Jair Bolsonaro em liberar a posse de armas de fogo no País. “São coisas completamente diferentes”, afirmou. “O presidente [eleito] pretende respeitar a vontade expressa pela maioria naquele momento, o direito à legítima defesa.”

Ataque já contabiliza seis mortos

Euler Fernando Grandolpho, de 49 anos, entrou na catedral durante uma missa e abriu fogo contra oito pessoas. Cinco delas morreram – uma, na tarde desta quarta. Policiais que estavam perto do local ouviram os tiros e conseguiram balear o criminoso. Cercado, ele subiu no altar da igreja e se matou. A Polícia Civil investiga as motivações.

*Com informações do Estadão Conteúdo