Barroso sobre desmatamento na Amazônia: ‘Mundo não está horrorizado por acaso’
Na primeira sessão de julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF) deste semestre, o ministro Luís Roberto Barroso disse nesta segunda-feira, 3, que o mundo não está “olhando horrorizado por acaso” para o Brasil, ao fazer referência ao desmatamento na região amazônica. Barroso reiterou os fundamentos da decisão que obrigou o governo federal a adotar medidas para conter o contágio e a mortandade pela Covid-19 entre a população indígena. A medida foi tomada em 9 de julho, horas depois dos vetos do presidente Jair Bolsonaro a dispositivos da lei que define medidas de contenção do coronavírus em territórios indígenas e quilombolas.
Agora, o plenário do STF vai decidir se confirma ou não a liminar de Barroso. Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, já foram confirmados 21.646 casos de coronavírus entre os povos indígenas, dos quais 623 resultaram em morte. “A remoção dos invasores das terras indígenas é medida imperativa, imprescindível e é dever da União. É inaceitável a inação do governo federal não de um específico, de qualquer um e talvez de todos até aqui em alguma medida, é inaceitável a inação em relação a invasões em terras indígenas. Inclusive porque estas invasões vêm associadas a prática de diferentes crimes ambientais, não apenas um oferecimento de grave risco para os indígenas, e não apenas a invasão de áreas demarcadas que lhe são asseguradas constitucionalmente, mas estas invasões são para a prática de crimes, como desmatamento, queimadas, como a extração ilegal de madeira e a degradação da floresta”, disse Barroso.
“Não é pequena a consequência da degradação e do desmatamento. O mundo não está nos olhando horrorizado por acaso, é porque há consequências para o ciclo da água, há consequências para a biodiversidade, para a mudança climática, e eu espero que com grande atraso, mas não tarde demais, o Brasil tenha, pela sua sociedade e pelo seu governo, acordado para a importância do papel que nós representamos para o mundo e o dever que temos de criar uma economia sustentável, sobretudo para a Amazônia para que a preservação da floresta de pé valha mais do que a ambição de derrubá-la”, acrescentou o ministro.
Barroso determinou, no mês passado, que o governo instale uma sala de situação para acompanhar ações de combate à pandemia voltadas para povos indígenas. Também determinou que o governo elabore um plano de enfrentamento da Covid-19 para essa população, incluindo medidas de contenção e isolamento de invasores nas terras indígenas. O julgamento será retomado nesta quarta-feira, quando os outros 10 ministros do STF devem se pronunciar.
* Com informações do Estadão Conteúdo
Assuntos
continue lendo
Política
Zanin vai relatar novo pedido do PSD por segundo turno no Rio
Douglas Ruas foi declarado eleito no primeiro turno após anulação dos votos obtidos pelo candidato Anthony Garotinho
- Oito em cada dez brasileiros apoiam redução da maioridade penal, diz Datafolha Jovem Pan · há 2 horas
- Mais de 4 mil eleitores tiveram locais de votação alterados no segundo turno Agência Brasil · há 3 horas
- Manaus amanhece coberta por fumaça de queimadas; prefeitura faz apelo Jovem Pan · há 4 horas
- Chuvas provocam alagamentos e deslizamentos no interior de SP; veja balanço Agência Brasil · há 4 horas