Bilhete entregue por desconhecida impede que passageira sofra assédio em ônibus no RJ

  • Por Jovem Pan
  • 20/06/2019 16h40
Reprodução/FacebookCamila, uma passageira que estava sentada atrás de Thaiza, a cutucou e entregou o bilhete

Uma cena de solidariedade entre mulheres viralizou nas redes sociais na última semana no Rio de Janeiro. Thaiza Paula estava no ônibus, a caminho do trabalho, quando um homem sentou ao lado dela e ficou olhando-a fixamente. Embora incomodada com o assédio, a jovem estava com medo de levantar e sair de perto dele, devido a alguma atitude que o homem poderia tomar.

Foi quando Camila, uma passageira que estava sentada atrás dela, a cutucou e a entregou o seguinte bilhete: “Moça, mexe na sua orelha direita, se esse cara ao seu lado estiver te incomodando. Meu nome é Camila e você pode fingir que me conhece”.

Thaiza aceitou a sugestão e foi sentar ao lado de Camila, e o homem saiu do ônibus logo em seguida. As meninas começaram a conversar, trocaram números de telefone e Thaiza compartilhou a história nas redes sociais, dizendo que “seria eternamente grata” à Camila.

Confira:

97% das mulheres já sofreram assédio em meios de transporte

Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (18) pelos Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva revelou que quase todas as mulheres brasileiras (97%) dizem já ter sofrido assédio no meio de transporte, seja ele público ou privado. Além das que já foram vítimas, 71% delas afirmam que conhecem alguma mulher que já foi assediada em espaço público.

Entre as 1.081 mulheres ouvidas em todas as regiões do Brasil, 46% não se sentem confiantes para usar meios de transporte sem sofrer assédio sexual. A maior parte delas reclama de olhares insistentes, cantadas indesejadas , comentários de cunho sexual, passadas de mão pelo corpo, gestos obscenos, perseguição e até masturbação.

Os números são ainda mais alarmantes dentro do transporte público, onde apenas 26% delas se sentem seguras. Isso acontece porque as brasileiras acreditam (55%) que é mais fácil denunciar abusadores através da locomoção por aplicativos, no qual 45% acreditam ser mais provável que os homens sejam punidos.