Blal Dalloul: ‘Ministério Público não pode se sentir enfraquecido nem punido em suas funções’

  • Por Jovem Pan
  • 25/08/2019 17h45
Divulgação"Não é de hoje que a tarefa do MP causa desconforto em atores do cenário político", disse o procurador

O procurador regional da República Blal Dalloul disse neste domingo (25) que o Ministério Público “não pode se sentir enfraquecido nem punido em suas funções”. A declaração foi feita em entrevista à Jovem Pan ao ser questionado sobre a Lei de Abuso de Autoridade e sobre os protestos contrários ao projeto realizados durante o dia em todo o país.

“Vejo isso dentro de um complexo conjunto de fatores que vem se sucedendo. Não é de hoje que a tarefa do Ministério Público causa desconforto em importantes atores do cenário político. Essa Lei de Abuso de Autoridade, a forma com que foi aprovada, a toque de caixa, com urgência… O texto, embora alguns digam que trouxe avanços em relação à redação primitiva, continua ruim. Há termos genéricos, abertos. Traz preocupação mesmo”, disse.

“Eu não diria ‘intimidar’, mas [os procuradores] vão pensar muitas vezes antes de praticar atos pró-sociedade. De pensar em um inquérito até oferecer uma denúncia. O MP não pode se sentir enfraquecido nem punido em suas funções. Não pode atuar com medo. Isso não cabe na história democrática de nosso país”, completou.

Lista tríplice da PGR

Ao lado de Mário Bonsaglia e Luíza Fricheinsen, Blal Dalloul integra a lista tríplice eleita pelos integrantes da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) com as sugestões do Ministério Público para a indicação do novo procurador-geral da República. A escolha será do presidente Jair Bolsonaro. Ele não é obrigado, no entanto, a optar por um dos nomes da lista.

“Nós viemos de um processo de 30 dias para essa lista tríplice. Os nomes não foram escolhidos ao acaso. 800 procuradores escolheram três e essa lista foi oferecida ao presidente. Quando ele demonstra um não-apreço por ela, demonstra um não-apreço ao MP, a todos os nossos colegas. Eu ainda tenho esperança de que ele tenha apreço. Não é obrigado a escolher um dos três, não estamos emparedando ninguém. Mas eu não aceitaria ser PGR se não estivesse na lista tríplice”, concluiu Dalloul.