Bolsonaro alfineta Mandetta: ‘Paciente pode trocar de médico’

  • Por Jovem Pan
  • 09/04/2020 20h00 - Atualizado em 10/04/2020 08h38
Montagem sobre fotos/Gabriel Biló/Dida Sampaio/Estadão ConteúdoSegundo Bolsonaro, um estudo conclusivo sobre a eficácia da cloroquina pode demorar anos

Em transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta-feira (9), o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o uso da hidroxicloroquina no tratamento para o novo coronavírus. Ele ainda alfinetou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que tem se mostrado mais relutante em relação ao uso do remédio.

“O médico não abandona o paciente, mas o paciente pode trocar de médico”, afirmou Bolsonaro. Nas últimas semanas, ambos vem se desentendendo em algumas decisões relacionadas à epidemia e, por vezes, Mandetta justificou que não sairia do cargo — mesmo com ameaças de demissões –, pois “um médico não abandona o paciente”.

Segundo Bolsonaro, um estudo conclusivo sobre a eficácia da cloroquina — que até agora tem somente pesquisas incipientes — pode demorar anos. Por isso, a sua recomendação é que seja administrada nos pacientes com Covid-19. “Ao que tudo indica, tem salvado vidas. Tem que usar. É uma chance, uma oportunidade”, disse.

O presidente ressaltou, ainda, que o Brasil tem laboratórios com condições de fabricar “milhões de comprimidos por dia” e que o Conselho Regional de Medicina (CRM) do Amazonas recomendou o medicamento até mesmo para casos mais leves.

Até agora, especialistas alertam que a cloroquina é ministrada somente para pacientes em estado grave. Além disso, ainda não há estudos robustos a respeito dela. O Ministério da Saúde disse que o Conselho Federal de Medicina (CFM) deve se posicionar sobre o tema até o dia 20 de abril. Para Mandetta, “o governo não precisa politizar esse assunto”.

Isolamento

Após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta quarta de que os estados e municípios têm autonomia para decretar o isolamento, Bolsonaro, que desde o início tem se colocado contra a medida, afirmou que isso “é responsabilidade dos prefeitos e governadores”.

Na live desta noite, ele pediu que as pessoas incomodadas com a quarentena “reclamem” com os chefes dos estados. “Presidente da República não pode entrar nessa área aí”, afirmou.

Bolsonaro até deu indícios de que entraria no assunto do isolamento vertical — onde só ficam reclusas pessoas do grupo de risco –, mas logo declarou que “não queria polemizar”.