Bolsonaro cogita ‘privatização mais ampla da Petrobras’ e dos Correios

  • Por Jovem Pan
  • 25/04/2019 14h49
Marcos Corrêa/PRPresidente participou de encontro com repórteres nesta manhã

O presidente da República, Jair Bolsonaro, declarou nesta quinta-feira (25) que o governo pode “caminhar para a privatização mais ampla da Petrobras“. “Temos refinarias, vamos dar um passo de cada vez”, disse em Brasília, durante café da manhã com jornalistas. Além disso, afirmou também que deu sinal verde para que sejam feitos estudos para a privatização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). “Tem que rememorar para o povo o fundo de pensão, que a empresas foi o foco de corrupção com o mensalão.”

A privatização dos Correios está nos planos do governo para enxugar a máquina pública. A estatal tem mais de 100 mil funcionários e acumula prejuízos nos últimos anos. Apesar disso, o Ministério da Ciência e Tecnologia, comandado por Marcos Pontes, tem defendido maior reflexão sobre a estratégia para empresas que estão sob sua tutela.

Em recente entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Pontes disse que não é contra o programa de privatização, mas defende que a decisão seja baseada em fatos, números e um plano de negócios bem estruturado, que leve em conta as necessidades estratégicas do País, o retorno para o governo e, principalmente, a garantia dos direitos dos servidores.

Ainda durante o café, Bolsonaro falou sobre os preços dos combustíveis no País e atribuiu a alta ao ICMS, cobrado pelos estados. “O grande problema (do preço do combustível) é o ICMS, mas a pancada quem leva é o governo federal. Os Estados são os grandes vilões do preço do combustível. O Rio Grande do Sul vai reduzir o preço do ICMS? Tem avião que chega com tanque vazio em São Paulo.”

Coaf de volta à Economia

O presidente também revelou que não se opõe em devolver o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para o Ministério da Economia. O órgão pertencia ao então Ministério da Fazenda e, com a Medida Provisória 870 – que reduziu o número de ministérios, passou a estar subordinado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado por Sérgio Moro. O Coaf era um dos pedidos de Moro para assumir a pasta.

Segundo Bolsonaro, há uma preocupação com a prazo de votação da Medida Provisória, que está perto de caducar. A MP vence em 3 de junho.

“Não me oponho em voltar o Coaf para o Ministério da Economia, apesar do Paulo Guedes estar com muita coisa. Falei hoje com o Fernando Bezerra sobre o assunto. Tem um ponto ou outro. Se não aprovar será uma bagunça. Teremos que ter mais sete ministros”, afirmou o presidente, sugerindo que a consequência disso será do Congresso.

A medida, um dos primeiros atos do governo, diminuiu o número de ministérios de 29 para 22 e reorganizou as atribuições do Executivo. Com ela, as funções do Coaf foram mantidas. O órgão tem como principal atribuição examinar e identificar possíveis práticas relacionadas à lavagem de dinheiro, corrupção e financiamento do terrorismo, alertando as autoridades competentes por meio de relatórios.

*Com Estadão Conteúdo