Bolsonaro diz saber como pai de presidente da OAB desapareceu durante a ditadura: ‘conto pra ele’

  • Por Jovem Pan
  • 29/07/2019 12h00
Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro (PSL)  disse, nesta segunda-feira (29), que sabe como o pai de Felipe Santa Cruz, presidente da Ordem do Advogados do Brasil (OAB), desapareceu durante a ditadura militar. Bolsonaro afirmou que contará a Santa Cruz a história “um dia, se ele quiser saber”, mas se antecipou e disse que “ele não vai querer ouvir a verdade”.

“Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”, falou presidente.

A declaração foi dada enquanto Bolsonaro citava o desfecho do processo de Adélio Bispo, que lhe deu uma facada durante a campanha eleitoral no ano passado. Adélio foi considerado inimputável pela Justiça Federal, que determinou internação do mesmo por prazo indeterminado.

Como não recorri, agora ele é maluco até morrer. Vai ficar em um manicômio judicial, uma prisão perpétua. Estou sabendo que ele está aloprando lá. Abre a boca, pô. Ah, não tem valor porque é maluco, abre a boca, pô! Quem sabe dê o fio da meada”, comentou o chefe do executivo, enquanto questionava a OAB:  “Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB?”

Entenda

Felipe é filho de Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, desaparecido, de acordo com o site da Comissão da Verdade, em 23 de fevereiro de 1974. O filho tinha dois anos quando ele sumiu ao sair da casa de seu irmão, Marcelo de Santa Cruz de Oliveira, no Rio de Janeiro, para encontrar um companheiro, chamado Eduardo Collier, que morava em Copacabana.

Segundo o portal da Comissão da Verdade, quando saiu, Fernando disse ao irmão que, caso não voltasse até as 18 horas, teria sido preso. Nesse mesmo dia, Fernando e Eduardo, que eram amigos de infância, foram detidos por agentes do DOI-CODI/RJ e desapareceram.