Bolsonaro: ‘Maus brasileiros’ usam ‘números mentirosos’ contra a Amazônia

  • Por Jovem Pan
  • 05/08/2019 13h50
Alan Santos/PRPresidente foi à Bahia inaugurar a primeira etapa de uma usina solar flutuante

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltou a chamar, nesta segunda-feira (5), os números recentes sobre o desmatamento na Amazônia de “mentirosos”. Durante um evento em Sobradinho, na Bahia, ele disse que as pessoas que divulgam esses dados são “maus brasileiros” que fazem “campanha contra” a floresta.

“A Amazônia é um potencial incalculável. Por isso, alguns maus brasileiros ousam fazer campanha com números mentirosos contra a nossa Amazônia. E nós temos que vencer isso e mostrar para o mundo, primeiro, que o governo mudou e, depois, que nós temos responsabilidade para mantê-la nossa, sem abrir mão de explorá-la de forma sustentável”, afirmou.

Relembre

Essa não é a primeira vez que Bolsonaro declara que os dados são falsos. No dia 18 de junho, ele questionou números que revelavam um aumento de 88% no desmatamento da região no último mês de junho. “Se toda essa devastação de que vocês nos acusam de estar fazendo e ter feito no passado, a Amazônia já teria sido extinta, seria um grande deserto”, disse, pouco antes de acrescentar que o instituto estaria agindo “a serviço de alguma ONG”.

“A questão do Inpe, eu tenho a convicção que os dados são mentirosos. Até mandei ver quem é o cara que está a frente do Inpe para vir se explicar aqui em Brasília, explicar esses dados aí que passaram na imprensa”, afirmou também, fazendo com que o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Magnus Osório Galvão, rebatesse as críticas, dizendo que o presidente não “estava num botequim”.

Depois de Bolsonaro criticar mais algumas vezes os números, alegando que esse tipo de dado atrapalhava o governo, Galvão foi exonerado, na última sexta (2), do cargo. Nesta segunda (5), a Comissão Europeia (CE) mandou um recado para o Brasil, lembrando que o acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) ainda não está em vigor e que, para isso acontecer, todos os países-membros devem cumprir os compromissos climáticos do Acordo de Paris.