Bolsonaro: Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda, Tubaína

  • Por Jovem Pan
  • 20/05/2020 09h14 - Atualizado em 20/05/2020 09h15
Marcos Corrêa/PRBolsonaro afirmou que o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, assinará na manhã da quarta-feira (20) um novo protocolo

O presidente Jair Bolsonaro, em entrevista ao jornalista Magno Martins, fez piada com o uso da cloroquina — alvo de divergências devido aos possíveis efeitos colaterais. As diretrizes do governo sobre o medicamento também provocaram o pedido de demissão do ex-ministro da Saúde, Nelson Teich.

“Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda, Tubaína”, repetiu várias vezes o presidente ao fazer piada com o assunto.

Apesar de incentivar o uso do fármaco de forma irrestrita, Bolsonaro admitiu, na mesma entrevista, que o medicamento pode se mostrar ineficaz no futuro para o tratamento da covid-19, mas prefere arriscar até que haja resultados conclusivos.

Porém, Bolsonaro afirmou que o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, assinará na manhã da quarta-feira (20) um novo protocolo que ampliará as diretrizes de utilização da cloroquina, inclusive na fase inicial de contágio do novo coronavírus.

O presidente ressaltou que o documento não obrigará nenhum paciente a ser medicado com a substância, mas dará a liberdade para que ele faça uso do remédio caso julgue necessário. “O que é a democracia? Você não quer? Você não faz. Você não é obrigado a tomar cloroquina, agora, quem quiser tomar que tome”, disse.

“Quem sabe, né? Pode ser que lá na frente digam que a cloroquina foi um placebo, ou seja, não serviu para nada. Mas, pode ser que daqui a dois anos digam ‘olha, realmente curava’. E o Romero (Rodrigues, prefeito de Campina Grande) e eu não vamos ter o peso na consciência ‘ó, morreu e podia ter salvo.”

O elogio ao prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSD) ocorre após a cidade decidir adotar protocolo que autoriza o uso da hidroxicloroquina em pacientes em estágios iniciais de covid-19.

Recorde de mortes

As declarações de Bolsonaro sobre o assunto ocorrem no mesmo dia em que o Brasil bateu recordes em números de mortes e novos casos de coronavírus. Foram mais de mil óbitos decorrentes da doença em apenas 24 horas, totalizando quase 18 mil vítimas fatais.

Além disso, com 17,4 mil diagnósticos em apenas um dia, o Brasil chegou a cerca de 270 mil casos registrados de covid-19 nesta terça-feira.

*Com informações do Estadão Conteúdo