‘Você acredita em Comissão da Verdade?’, diz Bolsonaro sobre mortes na ditadura

  • Por Jovem Pan
  • 30/07/2019 11h58 - Atualizado em 30/07/2019 11h59
Flickr/Palácio do PlanaltoO presidente diz que “não tem registros escritos” e que sabe da morte de Fernando “por sentimento"

Após declarar na segunda-feira (29) que sabe como morreu o pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, o presidente Jair Bolsonaro colocou em xeque a legitimidade da Comissão da Verdade, que apurou crimes cometidos durante a Ditadura Militar, e chamou de “balela” documentos sobre as mortes que aconteceram no período.

“Você acredita em Comissão da Verdade? Qual foi a composição da Comissão da Verdade? Foram sete pessoas indicadas por quem? Pela Dilma”, disse o presidente.

O atestado de óbito de Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira diz que ele foi morto pelo Estado brasileiro. A informação foi incluída no sistema da Comissão de Mortos e Desaparecidos na última quarta-feira (24).

Na segunda-feira (29), Bolsonaro alegou que sabia o que tinha acontecido com Fernando e que, se Felipe quisesse, poderia contar para ele. Na declaração desta terça-feira (30), o presidente diz que “não tem registros escritos” e que sabe “por sentimento” que Fernando foi morto pelo “grupo terrorista Ação Popular” do Rio de Janeiro.

“Você quer documento para isso, meu Deus do céu? Documento é quando você casa, você se divorcia. Eles têm documentos dizendo o contrário?”, ironizou Bolsonaro.

Comissão da Verdade

Segundo a Comissão Nacional da Verdade, Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira desapareceu em 1974 e foi preso e morto por agentes do Estado brasileiro.

A Comissão ainda defende que a família nunca encontrou seus restos mortais.

O relatório final da Comissão alega que um depoimento de um ex-delegado do DOPS-ES, Claudio Guerra, diz que o corpo de Fernando foi incinerado na Usina Cambahyba, em Campos dos Goytacazes, também no Rio de Janeiro.