Bolsonaro: ‘Se Cristina Kirchner voltar, Argentina vai entrar em situação semelhante à da Venezuela’

  • Por Jovem Pan
  • 02/05/2019 19h46 - Atualizado em 02/05/2019 19h48
Marcos Corrêa/PR"Espero que nossos irmãos argentinos se conscientizem disso", declarou o presidente

O presidente Jair Bolsonaro mostrou preocupação com a provável candidatura de Cristina Kirchner nas eleições presidenciais na Argentina. Em transmissão ao vivo no Facebook na noite desta quinta-feira (2), ele chegou a dizer que, caso ela volte à presidência, o país vizinho pode entrar em “situação semelhante à da Venezuela” — que nos últimos dias enfrenta uma série de confrontos envolvendo apoiadores do presidente interino Juan Guaidó e do ditador Nicolás Maduro.

“Ninguém aqui vai se envolver com questões de fora do nosso país. Mas, como cidadão, tenho a preocupação de que volte o governo anterior ao do [Mauricio] Macri. A presidente anterior era ligada a Dilma, Lula, a Venezuela de Maduro e Chávez, a Cuba. Se isso voltar, a Argentina vai entrar em situação semelhante à da Venezuela. Nós falávamos isso na nossa campanha. Se desse PT aqui, nós seríamos a Venezuela. Espero que nossos irmãos argentinos se conscientizem disso. Se o Macri não está indo bem, paciência. Vai lutar para melhorar ou botar alguma pessoa na linha dele. Só não pode voltar a Kirchner”, disse.

Já em relação à Venezuela, o presidente garantiu, mais uma vez, que o governo brasileiro fará “tudo que for possível” para que o país “volte à normalidade”.

“Faremos tudo que for possível, dentro do nosso limite, para que a Venezuela volte à normalidade. Isso [situação pela qual o país passa] tem impacto na nossa economia. Se a oferta de petróleo cai no mercado internacional, a tendência é aumentar o preço dos combustíveis”, explicou.

A live foi gravada em Santa Catarina, onde o presidente participa de um congresso de evangélicos. Participaram também o empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, que também aproveitou para se posicionar sobre a crise na Venezuela.

“Apesar da movimentação enorme dos últimos dias, nós consideramos a situação indefinida. Teve gente que qualificou o que aconteceu como derrota do Guaidó. Não vemos assim. O que acontece é que não é fácil tirar do poder alguém eleito sem legitimidade que resolveu aliciar generais de forma totalmente inesperada. Eles deveriam ser os que mais defendem o país visando patriotismo, dignidade. Esses generais foram aliciados e comprados por cargos que dão salário maior e influência”, disse.

“Esse dirigente… não é fácil tirá-lo do poder. Mas as pressões internacionais podem, pouco a pouco, mostrar aos civis que ainda não compreenderam a gravidade do problema, e principalmente aos militares, que precisam se voltar para trazer a Venezuela ao caminho da liberdade e da democracia. Vamos continuar lutando. A reunião de Lima vai reforçar esse trabalho. Estamos torcendo muito”, completou.

Acolhida em Roraima

Bolsonaro criticou ainda as notícias que o “acusaram” de ter liberado mais de R$ 200 milhões à Venezuela. Segundo ele, a liberação de recursos aconteceu para que o Exército consiga atender a demanda na Operação Acolhida, responsável por receber imigrantes na fronteira.

“Nós recebemos essas pessoas e damos o devido tratamento. Depois, realocamos no resto do Brasil. Elas estão fugindo de ditadura, fome, violência. Boa Vista hoje tem problemas com superlotação em hospitais, escolas. Se não fizermos nada, vira um caos! Roraima viraria um caos. O governador está em contato conosco. Estamos buscando soluções.”