Bolsonaro se encontra com príncipe da Arábia Saudita envolvido em investigação de assassinato

  • Por Jovem Pan
  • 29/06/2019 11h51
Alan Santos/PR"Estamos adotando uma posição muito mais equilibrada no Oriente Médio", disse o presidente

Durante participação no G20, encontro das maiores economias do mundo em Osaka, no Japão, o presidente Jair Bolsonaro se encontrou com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman. Segundo o presidente, o País pretende adotar uma postura “mais equilibrada” no Oriente Médio para conseguir mais investimentos.

“Firme em minha determinação de trazer investimentos para nosso país, conversei com o Príncipe Mohammad bin Salman da Arábia Saudita, maior economia do mundo árabe, sobre oportunidades de investimento no Brasil. Estamos adotando uma posição muito mais equilibrada no Oriente Médio”, escreveu como legenda de uma foto compartilhada nas redes sociais em que aparece cumprimentando o líder.

Envolvimento em investigação de assassinato

No final de 2018, de acordo com o jornal norte-americano “Washington Post”, a agência de inteligência CIA concluiu uma investigação que mostra que o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, cometido em outubro do ano passado na embaixada da Arábia Saudita em Istambul, teria sido ordenado pelo por Mohammed bin Salman. O governo saudita, por outro lado, tem defendido que o príncipe herdeiro do trono não está envolvido no caso.

De acordo com a investigação, uma equipe de 15 agentes sauditas viajou até Istambul em um avião do governo e matou Khashoggi dentro do consulado saudita, onde ele tinha ido providenciar documentos para se casar com uma mulher turca.

Em janeiro deste ano, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, pediu esclarecimentos a bin Salman sobre a morte de Khashoggi. Pompeo garantiu que vai continuar discutindo com o príncipe herdeiro para que todos prestem conta e que os autores sejam reconhecidos como responsáveis também pelas autoridades americanas.

O julgamento de 11 suspeitos de envolvimento na morte de Khashoggi começou no dia 3 de janeiro na Arábia Saudita e cinco já tiveram pena de morte decretada. Além disso, as autoridades norte-americanas aplicaram sanções a 17 sauditas envolvidos no caso.

O presidente Donald Trump ainda não se manifestou de forma incisiva sobre o ocorrido e está relutante em condenar o príncipe pelo crime.

*Com Estadão Conteúdo