‘Brasil está sem dinheiro’, diz Bolsonaro sobre suspensão de bolsas do CNPq

Presidente afirmou que Exército vai entrar em meio expediente, pois “não tem comida para dar aos recrutas, que são filhos de pobre”

  • Por Jovem Pan
  • 16/08/2019 17h10 - Atualizado em 16/08/2019 17h16
Marcos Corrêa/PR"A situação que nos encontramos é grave, não há maldade da minha parte, não tem dinheiro", defendeu

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta sexta-feira (16), que “o Brasil todo está sem dinheiro” e que “os ministros estão apavorados”. De acordo com ele, o Exército vai entrar em meio expediente, pois “não tem comida para dar aos recrutas, que são filhos de pobre”.

Bolsonaro fez as declarações ao ser perguntado pela imprensa sobre a decisão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de suspender novas bolsas de pesquisa por falta de verbas.

“Estamos aqui tentando sobreviver. Não tem dinheiro e eu já sabia disso, estamos fazendo milagres, conversando com a equipe econômica para ver o que podemos fazer. A situação que nos encontramos é grave, não há maldade da minha parte, não tem dinheiro”, disse.

No final do mês de julho, o governo federal oficializou um novo contingenciamento de R$ 1,442 bilhão no Orçamento do país. Entre os ministérios com maiores valores bloqueados estão o da Cidadania (R$ 616,166 milhões) e o da Educação (R$ 348,471 milhões).

O CNPq havia pedido um crédito suplementar de R$ 330 milhões para o Ministério da Economia, mas recebeu “indicações de que não haverá a recomposição integral do orçamento de 2019”. Por isso, suspendeu as bolsas. O órgão quer utilizar o que ainda tem garantido neste ano para cumprir o compromisso com os pesquisadores que têm bolsa vigente.

Desde 2014, o CNPq vem sofrendo sucessivos bloqueios. O orçamento que era de R$ 1,3 bilhão passou para R$ 784 milhões neste ano. Desde agosto do ano passado, quando foi definido o orçamento para 2019, os dirigentes do conselho já alertavam que a quantidade de recursos iria praticamente zerar seus investimentos em pesquisa.

Assista: 

SUS

Bolsonaro se manifestou, ainda, sobre a notícia veiculada na última semana pela “Folha de S. Paulo” de que a avó materna da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, havia ficado mais de dois dias aguardando atendimento deitada em uma maca no corredor de um hospital na periferia do Distrito Federal.

“Não tem SUS da família Bolsonaro e SUS do povo. O SUS é igual e ponto final. O que puder fazer para ajudar a gente ajuda, mas não vou ligar para o diretor do hospital para dar o tratamento e pedir pra passar na frente a avó da Michelle. É decisão minha e ponto final, não tem privilégio para nós”, afirmou.