Brasil teve 141,4 mil acidentes com escorpiões em 2018; saiba como se prevenir

  • Por Nicole Fusco
  • 14/01/2019 07h00 - Atualizado em 14/01/2019 07h06
Jovem PanNúmero de acidentes com escorpiões em 2018 chegou a 141,4 mil, segundo o Ministério da Saúde

O número de acidentes com escorpiões está crescendo a cada ano no Brasil. Em 2018, foram registrados 141.400 casos — 16.000 ocorrências a mais do que no ano anterior. Já em 2016, esse número foi ainda menor: de 91.000 casos, segundo o Ministério da Saúde.

A bióloga Denise Maria Candido, do Instituto Butantan, atribui esse crescimento às altas temperaturas e ao crescimento desordenado das cidades. “Nós estamos tendo muito calor e o inverno está sendo leve, durando pouco tempo. Esses animais gostam muito do calor, então, nessa época, eles se reproduzem e têm mais atividades”, disse.

Além disso, há o problema do saneamento básico, que não é adequado ao crescimento das cidades”. “Então, dentro da área urbana, há terrenos em construção, terrenos baldios, lugarem em que não há rede de esgoto nem coleta de lixo”, explicou ela.

Segundo a bióloga, esse conjunto de fatores contribui para o surgimento de baratas, bastante comuns nas áreas urbanas, e que são o principal alimento dos escorpiões. Denise Maria Candido também explica que, no Brasil, há quatro espécies consideradas perigosas, sendo que, duas delas são as que causam o maior número de acidentes: o escorpião amarelo e o escorpião do nordente.

Essas duas espécies, aliás, têm um tipo de reprodução diferenciada, pois eles não precisam do acasalamento para se reproduzir. Quando as fêmeas ficam adultas, em torno de 12 meses após o nascimento, elas começam a desenvolver os embriões e podem ter até três crias no ano sendo que, em cada uma delas, nascem entre 20 e 25 de filhotes.

Para se previnir, é recomendado usar telas em ralos no chão, pias e tanques; vedar as portas com soleiras; retirar entulhos e materiais de construção; e vedar bem o lixo. Outra atitude importante é sacodir roupas e sapatos antes de usá-los.

Dedetizar a casa não é uma boa solução, segundo a bióloga Denise Maria Candido. “Oficialmente, não se tem um veneno que seja cientificamente comprovado bom para o controle de escorpiões”. “Isso não signifca que não tem veneno que não mata escorpião, tem. Só que o processo da dedetização impede que isso seja uma coisa eficaz. O escorpião precisaria ser diretamente atingido pelo veneno, embora eles sejam bastante resistentes”, afirmou.

Se for picado por um escorpião, o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan recomendam que a pessoa vá imediatamente ao local de atendimento mais próximos. De preferência, um hospital público, pois é o Ministério da Saúde que faz a distribuição do soro contra a picada de escorpião.

A bióloga aponta ainda o que as pessoas não devem fazer: “Não fure, nõa corte, não amarre, não passe álcool, querosene, café, terra, não fazer nada disso, pois nada vai cortar o efeito do veneno que já está na sua circulação”. “Você pode, sim, fazer uam compressa de água quente e colocar no local para aliviar a dor”, explicou.

Embora não seja tão comum, a picada de escorpião pode levar à morte. Em 2016 foram registrados 115 óbitos em todo o país e, em 2017, 88. O número de mortes do ano passado ainda não foi calculado.