Butantan antecipa entrega de 54 milhões de doses da CoronaVac para agosto

Além disso, uma força-tarefa foi criada para agilizar o processo de envase das doses que serão recebidas na próxima semana

  • Por Jovem Pan
  • 17/02/2021 13h38 - Atualizado em 17/02/2021 15h44
SUAMY BEYDOUN/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO - 30/12/2020A partir do próximo dia 23 de fevereiro, o Instituto vai entregar 3,4 milhões de doses para o Ministério da Saúde distribuir "o mais rápido possível"

O governo de São Paulo e o Instituto Butantan vão antecipar a entrega de 54 milhões de doses da CoronaVac que estava prevista para setembro. Agora, a entrega deve acontecer até o fim de agosto. O governador do Estado, João Doria, lembrou que 9 a cada 10 brasileiros vacinados foram imunizados com a vacina do Butantan, fabricada em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Porém, ele alertou a importância, e fez um apelo para o Ministério da Saúde viabilizar mais vacinas além desta. Até agosto, 100 milhões de doses da CoronaVac estarão à disposição do Brasil. Na tarde desta quarta-feira, 17, os 26 estados e o Distrito Federal farão uma reunião com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, para tratar desse e outros assuntos.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, reforçou que a CoronaVac é a única vacina usada em grande volume no Brasil. Com isso, o local também criou uma força-tarefa para agilizar a entrega das doses ao duplicar o número de profissionais que cuidam do programa de envase — de 150 para 300. De acordo com Covas, o departamento de qualidade trabalha quase 24 horas por dia, sete dias por semana para aumentar a produção e entrega das doses. A partir do próximo dia 23 de fevereiro, o Instituto vai entregar 3,4 milhões de doses para o Ministério da Saúde distribuir “o mais rápido possível” pelos estados. Previsão é de que uma média de 426 mil doses sejam liberadas por dia, por oito dias. Segundo Dimas, não existem mais problemas com a logística da matéria prima que vem da China.

Projeto Serrana

O estudo clínico da vacinação contra Covid-19 começou nesta quarta-feira, 17, em Serrana, no interior de São Paulo. Serão 30 mil pessoas acima de 18 anos vacinadas na pequena cidade na região de Ribeirão Preto. Tanto o governador João Doria quanto o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, reafirmaram que esse é o primeiro teste feito nessas circunstâncias no mundo. As 60 mil doses que serão aplicadas não comprometem as 100 milhões acordadas com o Ministério da Saúde. “Com a eficácia e segurança já comprovadas, esse estudo vai verificar o controle da disseminação da doença”, disse Doria. O ensaio tem o objetivo de responder três perguntas principais: 1. A pandemia pode ser controlada através da vacinação em massa? 2. A vacinação impede que o vírus seja transmitido de uma pessoa para outra? 3. Qual o impacto da vacinação na carga da doença? Todo o financiamento do projeto foi feito pelo governo estadual. As doses devem ser aplicadas entre hoje, dia 17, até o dia 10 de março.

Multa para quem furar fila

O governo de São Paulo também confirmou que a lei aprovada pela Alesp, que prevê multa de quase R$ 100 mil para quem furar a fila da vacinação contra a Covid-19, foi sancionada. De acordo com Doria, tanto médicos, quanto políticos, empresários ou famosos serão enquadrados — assim como pessoas comuns. “A lei é para todos e deve ser respeitada. Quem facilitar o acesso à vacinação será igualmente advertido e multado”, disse o governador. O Estado de São Paulo tem 1.938.712 casos confirmados da Covid-19 e 56.960 óbitos pela doença. A taxa de ocupação dos leitos de UTI está em 66,3% no Estado e 65,2% na Grande São Paulo. Entre os internados, 5.764 estão em UTI e 6.766 estão em enfermaria — entre casos confirmados e suspeitos. Mais de 1,7 milhão de brasileiros já foram vacinados.

Psicólogos na Educação

Começa também nesta quarta-feira o atendimento de mil psicólogos em 5,1 mil escolas da rede estadual de ensino de São Paulo. O programa Psicólogos da Educação vai atender alunos e professores de forma virtual e presencial com o objetivo de melhorar a convivência e o ambiente escolar. De acordo com o governo estadual, nenhuma unidade de ensino vai ficar de fora do programa. Segundo o secretário da Educação, Rossieli Soares, a ideia é que os profissionais atendam os casos mais urgentes como forma de apoio preventivo, nas incertezas e dúvidas, e apoio em projetos pedagógicos e de aprendizagem. Cada escola deve solicitar um banco de horas semanal, de 2h a 20h, a depender da necessidade. O investimento foi de R$ 60 milhões para 12 meses para 160 mil horas semanais de atendimento.