Cabral diz que Pezão ajudou a estruturar esquema de propina por mais de 8 anos

  • Por Jovem Pan
  • 03/02/2020 15h55 - Atualizado em 03/02/2020 16h05
Wilton Júnior/Estadão ConteúdoSegundo Cabral, Pezão recebia uma mesada de R$ 150 mil

O ex-governador Sérgio Cabral (MDB) afirmou nesta segunda-feira (3) que o também ex-governador Luiz Fernando Pezão (MDB) ajudou a estruturar o esquema de propina da Operação Boca de Lobo. Segundo ele, Pezão “participou da estruturação dos benefícios indevidos desde o primeiro instante do governo”. As informações são do portal G1.

De acordo com Cabral, isso se estendeu desde a campanha eleitoral, permaneceu durante os oito anos em que ele foi governador do Rio de Janeiro e continuou posteriormente. “Tenho algumas informações a respeito (da continuidade do esquema)”, disse em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal.

O esquema começou na administração da família Garotinho. Cabral e o sucessor teriam, na versão do emedebista, diminuído o valor cobrado das empresas em propina.

“Antes, eram 15% a 20% pagos aos governos anteriores da Rosinha e [Anthony] Garotinho. Eu estabeleci junto com Pezão o percentual de 5%: 3% para o meu núcleo, 1% para o núcleo dele, que era a Secretaria de Obras, e 1% para o TCE [Tribunal de Contas do Estado], para aprovação das licitações.”

Cabral disse ainda que Pezão foi o inventor da chamada “taxa de oxigênio”, mas que esta propina estava englobada nos 5% cobrados dos valores. “Pezão estabeleceu isso [a taxa de oxigênio] porque dizia que tinha que abastecer as subsecretarias dele.”

Além disso, segundo Cabral, Pezão recebia uma mesada de R$ 150 mil. “Recebeu durante os oito anos os pagamentos extras”, afirmou.

O ex-governador disse ainda que recebia uma mesada de R$ 500 mil da Fetranspor. Em abril de 2014, ao renunciar ao cargo para o sucessor, afirmou que Pezão deveria receber. Além disso, Pezão teria recebido R$ 30 milhões só da Fetranspor para a campanha a sucessão.

“Foram R$ 30 milhões [da Fetranspor] para o governador Pezão para sua estrutura [de campanha) e R$ 8 milhões para meus deputados a quem eu tinha interesse de ajudar. Quando chegou em 2015, Pezão me procurou para me ajudar financeiramente, ele se ofereceu. (…) A campanha dele chegou a R$ 400 milhões, então teve sobra de caixa e ele me ofereceu. Essa situação [do repasse de Pezão a Cabral, de R$ 500 mil] ficou 4, 5 meses em 2015.