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Brasil

Câmara municipal de SP aprova aumento para PMs que trabalham em dias de folga

Projeto de lei havia sido apresentado em 2018, mas só neste mês foi colocado em votação; Prefeitura nega manobra eleitoral

carolinafortes

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou na tarde desta quarta-feira, 19, em segundo turno, o projeto de lei enviado pelo prefeito Bruno Covas (PSDB) que dá aumento de até 39,8% aos policiais militares que trabalham para a Prefeitura nos dias de folga, a chamada Operação Delegada. Os vereadores também deram aval à extensão dessa medida para os guardas-civis metropolitanos que prestam esse serviço. O texto segue agora para a sanção do prefeito.O aumento se dá no valor da hora trabalhada pelo PM, que auxilia a Prefeitura na fiscalização de comércio ambulante ilegal. O “bico oficial”, como é chamado, é exercido ainda por policiais civis, que também tiveram o pagamento reajustado.

Segundo a Prefeitura, como não se trata de um salário aos agentes, o pagamento fica fora da restrição imposta pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que impede aumento dos gastos com a folha de pagamentos seis meses antes do fim do mandato. Esse projeto de lei havia sido apresentado à Câmara em 2018, mas só neste mês ele foi colocado em votação. Principal articulador do texto, o presidente da Câmara, Eduardo Tuma (PSDB), negou o objetivo eleitoral da medida e afirmou que ela é uma reivindicação de lojistas da região do Brás, que competem contra ambulantes ilegais na busca por clientes no bairro.

A Prefeitura informou, por nota, que “o reajuste trata-se de uma questão exclusivamente técnica, que aguardava deliberação da Câmara desde 2018” e que “repudia qualquer tentativa de vinculação e exploração política em um ato legítimo e necessário para manutenção de um importante programa na área da segurança pública”. Ainda de acordo com a Prefeitura, o projeto com o aumento havia sido enviado à Câmara porque os valores pagos estavam defasados, uma vez que o último reajuste havia sido dado em 2015, na gestão Fernando Haddad (PT). A Operação delegada existe desde 2009, criada na gestão Gilberto Kassab (PSD).

Guardas-civis também terão aumento

O texto votado nesta quarta foi alterado em relação à primeira votação, ocorrida na semana passada. O valor do aumento foi mantido, determinando reajuste de R$ 21,25 para R$ 28,87 por hora para os praças (soldados, cabos, sargentos e subtenentes), e de R$ 25,50 para R$ 35,66 por hora para oficiais da PM e delegados. No entanto, os vereadores decidiram nesta tarde que os valores das horas trabalhadas serão corrigidos anualmente, pelo índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Na versão original, o valor da hora seria calculado a partir de um porcentual da Unidade Fiscal do Município (UFM), um índice reajustado a cada ano, que pode ter uma correção em porcentual diferente do da inflação. A outra mudança foi a inclusão dos agentes da Guarda Civil Metropolitana no texto, uma ação que havia sido anunciada pela oposição na semana passada. A inspetora superintendente da corporação, Elza Paulina de Souza, procurou parlamentares entre as duas votações para defender a inclusão da categoria.

* Com informações do Estadão Conteúdo