Candidato ao Senado, Kassab justifica aliança com Dilma e diz: “continuamos adversários do PT”

  • Por Jovem Pan
  • 09/09/2014 17h50
Candidato ao Senado Federal

Nos estúdios da Jovem Pan, o candidato ao Senado Federal por São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), se colocou como candidato da “renovação” para tentar se diferenciar dos dois principais concorrentes, José Serra (PSDB) e Eduardo Suplicy (PT). “O Serra foi eleito há 20 anos e o Suplicy já está a 24 anos (no Senado)”, comparou. “Se há alguma candidatura de mudança e de renovação, é a nossa”, defendeu.

A Jovem Pan entrevista os outros candidatos ao Senado ainda nesta semana

Alianças

Questionado por Anchieta Filho sobre a mudança de candidatura, já que foi convidado para participar da chapa de Geraldo Alckmin ao governo do Estado, Kassab afirmou que não houve negociação, mas apenas um convite. O candidato disse ter percebido que “a hora é de mudança também para o governo do Estado”. O presidente do PSD colocou-se ao lado de Paulo Skaf (PMDB), principal adversário de Alckmin na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Ainda sobre as alianças que fez Kassab, o ouvinte Maurício Câmara indagou sobre o apoio do partido de Kassab à reeleição da presidente Dilma no cenário federal. “Continuamos adversários do PT”, garantiu. “O que foi construído em Brasília foi uma aliança circunstancial e única de um partido que está nascendo”, disse o líder do PSD, alegando que seu partido não tem força o suficiente para lançar candidato próprio – e diz que vai se preparar para isso em 2018. “Nesse momento, tínhamos que fazer uma aliança”, justificou.

Por Thiago Uberreich, o candidato é questionado sobre a incongruência de defender a “renovação” em sua disputa particular e apoiar a reeleição de Dilma ao mesmo tempo. Kassab cita as três principais candidaturas ao Planalto (Dilma, Marina e Aécio) e afirma que “todos têm experiência”. “A renovação não está tão presente assim, o que tem são as propostas de alternância do poder.”

Presença

Uma das palavras mais usadas pelo candidato ao Senado durante a entrevista foi “presença”, a qual faltaria aos atuais representantes do Estado de São Paulo, na opinião de Kassab. Ele cita o lobby feito pelos senadores do Rio de Janeiro a favor dos royalties do petróleo do Pré-Sal e diz que, em São Paulo, as empresas estão deixando o Estado por causa da alta carga tributária. Kassab avalia que não tem havido presença da voz política dos senadores paulistas nos últimos anos.

Uma das promessas citada por Kassab durante a entrevista foi a de garantir que cumpre os oito anos de mandato de senador, comparando-se ao abandono de cargo de Marta Suplicy (PT) quando escolhida ministra da Cultura em 2012.

Kassab também disse que dá apoio ao projeto de redução da maioridade penal, citando proposta de emenda constitucional (PEC) do atual senador paulista Aloysio Nunes (PSDB), atualmente licenciado para compor chapa com Aécio Neves à Presidência, o que também foi criticado no exemplo anterior.

O candidato ainda citou os baixos salários de médicos e professores.

Gilberto Kassab opinou também sobre alguns assuntos fora do âmbito de sua candidatura, como as denúncias de propina envolvendo a Petrobras, que envolvem nomes de 25 deputados, 6 senadores e 3 governadores, de acordo com reportagem de Veja. Kassab “aplaude e elogia” as polícias, o Ministério Público, a Justiça e os órgãos de imprensa e pede para que os responsáveis pelos possíveis crimes “sejam punidos exemplarmente”.

Kassab avaliou negativamente a atuação de Fernando Haddad à frente da capital paulista. “Acho que a prefeitura de São Paulo deixa a desejar em várias áreas, principalmente a dificuldade em renegociar a dívida pública do município”, critica. Kassab afirma ainda sobre o tema da dívida que “a bola estava na marca do pênalti” quando era prefeito. “Não quero afirmar que, se continuássemos (na prefeitura), iríamos conseguir, mas avançamos muito”, projetou.

Kassab defendeu também maior respeito ao usuário de carros em São Paulo. “Enquanto não tem alternativa, elas (as pessoasque estão usando o carro) têm que ser respeitadas também”. Emendou, então, o candidato críticas ao aumento de faixas exclusivas para bicicletas. “As ciclovias, do jeito que estão sendo espalhadas pela cidade, estão impedindo e dificultando o comércio”, afirmou, acusando os administradores municipais de estarem com “os olhos tapados” para a situação.

Ouça a entrevista completa no áudio acima.