CCBB terá exposição com peças resgatadas do incêndio no Museu Nacional

  • Por Jovem Pan
  • 25/02/2019 18h30
FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDOPeças resgatadas do incêndio do Museu Nacional serão expostas pelo CCBB, no Rio de Janeiro

O Museu Nacional do Rio de Janeiro, o mais antigo do Brasil, apresentou nesta segunda-feira (25) sua primeira exposição após o incêndio que sofreu em setembro do ano passado e que destruiu grande parte da sua coleção, com peças que foram resgatadas dentre os escombros.

A exposição será aberta ao público na próxima quarta-feira (27) na sede do Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) e inclui 103 peças que puderam ser resgatadas e restauradas após as chamas que devoraram o museu.

A mostra está dividida em oito partes – antropologia, arqueologia, vertebrados, invertebrados, etnologia, entomologia, geologia e paleontologia – e nela é possível observar fósseis, animais dissecados, peças de cerâmica e crânios, entre outros.

O diretor do museu, Alexander Kellner, destacou que “graças a um trabalho intenso por parte dos servidores da instituição hoje se pode ver parte do material resgatado”. “Ainda tem muito mais por vir. Esta exposição demonstra que o Museu Nacional vive”, acrescentou.

Por sua parte, a chefe da equipe de resgate do museu, Claudia Carvalho, ressaltou que em algumas das peças que formam a exposição há fraturas ou sinais que mostram a transformação que sofreram após o incêndio de grandes proporções que destruiu 90% do acervo da instituição.

Além disso, Carvalho explicou que “até o final deste ano” espera acabar a fase de escavação em todas as áreas do museu e iniciar a fase de inventário de todas as peças.

Peças

O crânio de um jacaré-açu resgatado por inteiro dos escombros é um dos destaques da mostra. Pequenas esculturas do Antigo Egito, de 1380 a.C., se salvaram do fogo, que consumiu todas as múmias da coleção. As estatuetas eram colocadas nas tumbas representando os servos dos mortos.

Também foram salvas algumas peças das coleções regionalistas, como as pedras em forma de ave e peixes (zoólitos) de Santa Catarina, cerâmicas marajoaras, elementos ligados a rituais dos orixás africanos, como flechas, argolas e búzios, bonecas carajás e panelas do Xingu.

Da biblioteca, que não foi atingida pelo fogo, a exposição apresenta a publicação Meteorito de Bendegó, de José Carlos de Carvalho, de 1888. Trata-se do relatório apresentado pela comissão formada por ordem de d. Pedro II para a remoção e transferência da rocha para o Museu Nacional.

O crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo encontrado nas Américas, com cerca de 12 mil anos, foi parcialmente preservado. O fóssil original, no entanto, não está na exposição; somente uma réplica. Até o fim de março, está prevista a conclusão dos trabalhos de estabilização da estrutura do Palácio São Cristóvão e a instalação de uma cobertura provisória.

O Museu Nacional do Rio de Janeiro, que abrigava cerca de 20 milhões de peças que datavam de diferentes períodos, foi arrasado pelas chamas no último dia 2 de setembro em uma tragédia que destruiu parte da história do país e um dos acervos mais importantes da América Latina.

*Com EFE e Estadão Conteúdo