Ceará: suspeitos de ataques são mortos em troca de tiros com policiais

  • Por Jovem Pan
  • 22/01/2019 19h43
João Dijorge/Estadão ConteúdoEstado enfrenta série de atentados há mais de 20 dias

Dois homens foram mortos nesta terça-feira (22) na cidade de Quixadá, a cerca de 166 quilômetros de Fortaleza, no Ceará, durante uma troca de tiros com policiais militares. Marcos Juan Ferreira de Sousa e Wesley Miguel Fernandez Muniz são suspeitos de integrar um grupo criminoso que participa da série de atentados que atinge o estado.

Segundo a secretaria estadual da Segurança Pública e Defesa Social, homens do Comando Tático Rural da PM foram ao local investigar uma denúncia anônima de que cinco suspeitos estavam reunidos em uma casa planejando ações criminosas. Os militares não encontraram ninguém na residência, mas identificaram um acampamento no meio de um matagal próximo. Ao se aproximarem, foram recebidos a tiros.

Duas armas foram apreendidas com Sousa e Muniz. A pasta garante que os dois suspeitos também portavam munição de vários calibres e tinham antecedentes criminais por homicídio, tráfico de drogas e crimes contra a administração pública.

Durante a troca de tiros, mais três suspeitos conseguiram fugir. As investigações apontam que todos participavam do planejamento e da execução de assassinatos e de ações criminosas contra prédios públicos, veículos e propriedades privadas.

21º dia de ataques

Este é o 21º dia de ataques no Ceará. A secretaria informou esta tarde que 411 suspeitos de participar das ações orquestradas foram capturados desde o começo da onda de crimes. A pasta, no entanto, não revelou quantos destes suspeitos permanecem presos ou apreendidos.

Segundo autoridades e especialistas em segurança pública, as ações podem ser uma reação de facções criminosas à nomeação do secretário de Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, e ao anúncio de medidas para reforçar a segurança nos presídios, como a não separação de presos em presídios por facção.

Para tentar conter os ataques, o governo estadual convocou cerca de 1.200 policiais militares da reserva para voltarem ao serviço. No dia 4, o governo federal autorizou o envio de agentes da Força Nacional de Segurança Pública para auxiliar no combate aos ataques. No dia 13, o governador Camilo Santana sancionou leis que facilitam a adoção de medidas como a convocação dos militares reservistas; o pagamento a quem fornecer informações que resultem na prisão de bandidos ou evitem ataques criminosos no estado, entre outras.

Nesta semana, devem começar a chegar os primeiros integrantes da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária, subordinada ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Por razões de segurança, o órgão não informa quantos agentes prisionais serão cedidos por outros estados para integrar o grupo especial no Ceará.

*Com Agência Brasil