Com saída de Álvaro Antônio, governo Bolsonaro perde 12º ministro em dois anos

Apenas em 2020, oito ministros deixaram o governo Bolsonaro; dentre eles, estão os ex-ministros da Saúde, Nelson Teich e Luiz Henrique Mandetta, e o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro

  • Por Jovem Pan
  • 09/12/2020 17h33 - Atualizado em 09/12/2020 18h51
Wallace Martins/Estadão ConteúdoMinistro foi demitido nesta quarta-feira, 9.

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nesta quarta-feira, 9. O motivo da demissão foi um desentendimento entre o titular da pasta e o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, em um grupo de Whatsapp. A exoneração ainda não foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). O favorito para assumir o cargo é o presidente da Embratur, Gilson Machado, que foi recebido por Bolsonaro no Planalto. Com o episódio, Álvaro Antônio se tornou o 12º ministro a deixar o governo de Jair Bolsonaro em dois anos de mandato.

Relembre os outros nomes que deixaram o governo Bolsonaro:

Carlos Alberto Decotelli

Substituto de Weintraub na Educação, Decotelli durou menos de uma semana no cargo. Sua saída aconteceu depois de descobrirem uma série de inconsistências no currículo, uma vez que as Universidades de Rosário, na Argentina, e de Wuppertal, na Alemanha, desmentiram que o então ministro tivesse concluído seus programas de doutorado e pós-doutorado nas instituições. Ao todo, ele ficou apenas seis dias no cargo e não chegou a ser empossado, mesmo tendo sido anunciado por Bolsonaro.

Abraham Weintraub

Marcado por declarações polêmicas, Abraham Weintraub deixou o Ministério da Educação em 18 de junho. Sua saída aconteceu após a participação do ministro em um ato pró-governo no qual não usou máscara, sendo multado em R$ 2 mil pelo governo do Distrito Federal. Ele também era alvo do inquérito das Fake News no Supremo Tribunal Federal (STF) por ter falado em prisão dos ministros da Corte e os chamado de  “vagabundos”. Também existia uma investigação por racismo após falar sobre a China.

Nelson Teich

Teich deixou a pasta em 15 de maio, pouco antes de completar um mês. Ele teve divergências com o presidente Bolsonaro por opiniões sobre o combate ao coronavírus no Brasil. Teich era a favor do distanciamento social, enquanto Bolsonaro defende que apenas pessoas do grupo de risco fiquem em isolamento. Além disso, o ex-ministro da Saúde disse que a cloroquina deveria ser utilizada com restrições. O presidente, por sua vez, é um dos principais defensores do medicamento.

Sergio Moro

Sergio Moro pediu demissão do cargo no dia 24 de abril após a exoneração de Maurício Valeixo da diretoria-geral da Polícia Federal. Ele acusa Bolsonaro de ter interferido nos trabalhos da Polícia Federal, o que fez com que uma investigação fosse aberta contra o presidente. O ex-AGU André Luiz Mendonça assumiu a pasta.

Luiz Henrique Mandetta

Luiz Henrique Mandetta deixou o Ministério da Saúde no dia 16 de abril. O médico gaúcho foi demitido do cargo após conflitos com o presidente durante a condução da crise causada pelo novo coronavírus. Enquanto Bolsonaro queria que o País voltasse a funcionar e as pessoas continuassem trabalhando, o ministro defendia o isolamento social e pedia para que os brasileiros ouvissem os governadores estaduais, que, em maioria, assumiram posição contrária à do presidente.

Osmar Terra

Osmar Terra deixou o Ministério da Cidadania no dia 13 de março, sendo substituído por Onyx Lorenzoni, até então ministro da Casa Civil. O desgaste entre Terra e Bolsonaro começou quando o presidente decidiu transferir a Secretaria Especial da Cultura para o Ministério do Turismo em meio a uma crise na pasta.

Gustavo Canuto

O ex-ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, pediu demissão do cargo em 6 de fevereiro. Quem assumiu a pasta foi o então secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho. Canuto foi nomeado presidente da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev).

Floriano Peixoto

O general Floriano Peixoto Vieira Neto saiu da Secretaria-Geral da Presidência em 21 de junho do ano passado e foi nomeado presidente dos Correios. Jorge Antônio de Oliveira Francisco, advogado, major da reserva da PM e subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, assumiu o cargo.

Santos Cruz

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz deixou o cargo de ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República por decisão do presidente Jair Bolsonaro em 13 de junho de 2019, primeira baixa militar. Ele foi substituído pelo general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, comandante militar do Sudeste.

Ricardo Vélez

Ministro da Educação, Ricardo Veléz Rodriguez foi demitido em 8 de abril, após conflitos no Ministério da Educação provocados por desentendimentos entre assessores. Ele foi substituído por Abraham Weintraub.

Gustavo Bebianno

Gustavo Bebianno, que era ministro da Secretaria-Geral da Presidência, foi demitido em 18 de fevereiro de 2019 após desentendimentos com o presidente e seu filho Carlos Bolsonaro.