Comandante de crime no Rio de Janeiro “não vai ter paz”, diz ministro da Defesa

  • Por Jovem Pan
  • 06/08/2017 15h03 - Atualizado em 06/08/2017 15h10
Brasília - O ministro da Defesa, Raul Jungmann durante encontro com o presidente do Senado, Renan Calheiros (Marcelo Camargo/Agência Brasil)"Nós viemos para ficar e nós não vamos mandar recado. Nós vamos surpreender como vocês (criminosos) surpreendem as vítimas na sua ação", alertou Jungmann

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan neste domingo (6), o ministro da Defesa Raul Jungmann, elogiou a ação integrada de “5.500 homens da Polícia Civil, Polícia Militar, da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, da Força Nacional de Segurança e da Polícia Rodoviária Federal”  contra o crime organizado no Rio de Janeiro, no sábado (5).

A operação Onerat terminou com três suspeitos mortos, 24 presos e apreensão de 21 carros, 1 moto, 3 pistolas, 2 granadas e 4 radiotransmissores. Jungmann diz que “os resultados objetivos (da operação) são razoáveis” e reconhece que “não são espetaculares”, mas vê uma “curva de aprendizagem” para futuras ações.

O ministro da defesa exaltou, no entanto, o recado que a união das forças de segurança para ao crime organizado na capital fluminense. Jungmann informou também que a “terceira e quarta etapa” de operações integradas “já estão sendo devidamente planejadas”. Elas deverão manter o “efeito surpresa” para evitar a fuga de suspeitos ou o esvaziamento de arsenais.

Jungmann não quer apenas “tropas nas ruas”, mas usar as forças armadas para combater a “capacidade operacional” do crime.

“Nós permanecemos aqui (no Rio) e o método passa a ser esse (de integração), não apenas patrulhar as ruas, como há um desejo e uma ansiedade da população do Rio de Janeiro, de ter tropas”, diz. “Tropa na rua é como anestesia: ela faz baixar a dor, mas não resolve o problema. Quando saímos, e não é possível permanecer com tropas nas ruas o tempo inteiro, seja pelos custos seja por aspectos legais, volta o crime”, avalia.

O ministro da Defesa do Brasil fez questão de mandar um recado aos traficantes cariocas.

“O importante não é esse efeito de inibir o crime, mas de fato enfrentar a sua capacidade operacional”, afirmou. “Isso é uma sinalização muito importante para o crime. Dizer: não tem santuário, nós entramos em qualquer lugar, nós viemos para ficar e nós não vamos mandar recado. Nós vamos surpreender como vocês (criminosos) surpreendem as vítimas na sua ação. Nós vamos fazer o mesmo. Então qualquer dirigente ou comandante do crime organizado hoje no Rio de Janeiro não vai ter paz, ele pode ser alvo a qualquer momento. E isso também deve ser computado nos resultados dessa ação”, alertou.

Jungmann também conclamou a população para alertar as forças policiais de crimes por meio do “disk denúncia”. “Isso não é retórica. É muito importante a crença da população naquilo que, com seriedade e dedicação, estamos procurando fazer”.

Tomaz Silva/Agência Brasil

Forças de segurança ocupam ruas próximas ao Complexo do Lins, na zona norte da capital fluminense na Operação Onerat para coibir roubos cargas e o crime organizado; “Tropa na rua é como anestesia: ela faz baixar a dor, mas não resolve o problema”, diz o ministro.

O ministro informou que “as tropas são do Rio e ficam no Rio”, mas não deu prazo de atuação dos militares nas ruas da capital fluminense.

Jungmann também respondeu sobre a credibilidade da polícia do Rio de Janeiro e a atuação de milícias. “Devemos empoderar os bons policiais nesse processo”, afirmou. O ministro fara em “descartar” os que forem pegos repassando informações aos traficantes.

“É fundamental atuar dentro da lei. Sempre no limite da lei. Jamais fora da lei. E quem atuar fora disso tem que ser punido. Quem atuar fora disso, pode ser qualquer uma dessas forças. Quem tiver algum tipo de acordo, ilação ou cumplicidade com o crime organizado, esse temos de descartar. E isso é fundamental para que a gente consiga ter credibilidade diante da população”, concluiu.