Comissão do Senado aprova convite para Bebianno explicar candidatura de laranjas; presença é facultativa

  • Por Jovem Pan
  • 19/02/2019 15h21 - Atualizado em 19/02/2019 15h23
Wilton Junior/Estadão ConteúdoBebianno foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro na segunda-feira

A Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle do Senado Federal aprovou nesta terça-feira (19), após longo e acalorado debate, um requerimento que convida o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, a dar explicações sobre repasse de verbas públicas a candidatos laranjas em 2018.

O convite foi aprovado por seis votos a cinco e, inicialmente, seria uma convocação. Contudo, com a demissão de Bebianno oficializada na segunda-feira (18), ele não pode ser mais obrigado a falar no parlamento. Caso aceite falar em audiência com senadores da comissão, a data será definida junto ao agora ex-ministro, filiado ao PSL.

“A melhor forma do senhor Bebianno se redimir pelos seus malfeitos é comparecer ao Senado e abrir o jogo, sem permitir que sua exoneração sirva pra varrer a sujeira para debaixo do tapete”, defendeu o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que protocolou o requerimento. Bebianno, presidente do PSL na campanha eleitoral, é suspeito de irregularidades do fundo eleitoral para candidatas do partido. Ele nega participação.

Questionamento

O líder do PSL na Casa, Major Olímpio (SP) questionou a competência da comissão para interrogar o ex-ministro, tendo em vista que na época dos fatos apurados, ele ainda não estava no governo. Para tentar impedir o convite, Olímpio fez apelo a senadores insistindo que o caso é cuidado pela Justiça Eleitoral e pela Justiça Federal.

“Como membro do PSL de São Paulo, tenho todo interesse que seja esclarecida qualquer eventual prática de crime. O que estamos deliberando é a competência desta comissão em relação à atos do Executivo”, explicou. Também sem sucesso, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) chegou a pedir a postergação da deliberação do requerimento, sob o argumento de esperar o andamento da apuração da Justiça Eleitoral e do Ministério Público.

O emedebista acusou senadores de oposição de tentar desviar o foco da discussão de reformas. “A agenda é a reforma da Previdência e parece que estamos querendo amplificar crise para impedir a discussão. O ministro Sergio Moro vem hoje a esta Casa [entregar proposta de Lei Anticrime], essas são matérias que a sociedade quer nosso envolvimento, nosso debate. Não vejo onde a presença de um ex-ministro vai contribuir com essa pauta.”

*Com informações da Agência Brasil