Conteúdo secreto de delação da Odebrecht inclui obras no exterior e participação de Lula

  • Por Jovem Pan
  • 19/04/2017 10h43
BRA51. SAO PAULO (BRASIL), 10/04/2017.- Fotografía de archivo del 22 de diciembre de 2016, de la sede de constructora Odebrecht en la ciudad de Sao Paulo (Brasil). El grupo Odebrecht, implicado en el escándalo de corrupción en Petrobras, causó daños por valor de 5.684 millones de reales (unos 1.810 millones de dólares) en 11 contratos inflados firmados con la estatal entre 2003 y 2014, según un informe de la Policía Federal obtenido hoy, lunes 10 de abril de 2017, por varios medios locales. EFE / SEBASTIÃO MOREIRA / ARCHIVOFachada da sede da Odebrecht em São Paulo - EFE

Parte do conteúdo das delações da Odebrecht ainda sob sigilo destrincha o envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em obras da empreiteira no porto de Marial, em Cuba, na Angola, e no contrato da megaconstrutora com a empresa Exergia, que pertence a Taiguara Rodrigues, sobrinho da primeira mulher de Lula.

As informações foram obtidas pelo jornal O Estado de S. Paulo. O material secreto ainda envolve o ex-ministro Antonio Palocci, o senador Edison Lobão (PMDB-MA), o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) e o ex-ministro Henrique Eduardo Alves (PMDB), o marqueteiro João Santana, o senador Valdir Raupp (PMDB), o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o deputado estadual Luiz Fernando Teixeira Ferreira (PT), o ex-presidente da Pemex (Petróleos Mexicanos) Emilio Lozoya.

Diversas obras no exterior são listadas, além de duas campanhas presidenciais estrangeiras. Há ainda nove campanhas eleitorais no Brasil suspeitas de receber R$ 17,43 milhões ilícitos.

Lula

A contratação da Odebrecht para prestar serviços na Angola teria sido feita a pedido do ex-presidente. Os delatores afirmam também que a Exergia não tinha condições estruturais e sua constituição teria influência de Lula também, em benefício a seu sobrinho.

De acordo com o jornal, as informações e documentos serão encaminhados à Justiça Federal do Paraná, a pedido da Procuradoria Geral, porque fatos semelhantes já eram apurados previamente.

Palocci

Delatores afirmam que o ex-ministro pediu pagamentos à atuação de João Santana nas campanhas das presidências do Peru e de El Salvador, países latino-americanos. Santana teria recebido R$ 5,3 milhões para ajudar a eleger Maurício Funes em El Salvador em 2009. Já a campanha de Ollanta Humala no Peru teria recebido US$ 3 milhões do Setor de Operações Estruturadas, o departamento de propina da Odebrecht.

Cuba

Segundo Marcelo Odebrecht, Lula e Fernando Pimentel, ex-ministro e governador de Minas Gerais, ajudaram a viabilizar as obras da empreiteira no Porto de Mariel, no país caribenho. Neste caso, as provas e depoimentos são encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), pelo foro previsto a governadores, e também à Justiça do Distrito Federal.

Belo Monte

O juiz Sergio Moro investiga os suspeitos de irregularidade nos contratos da grande usina hidrelétrica de Belo Monte. A apuração teve início com a delação da construtora Andrade Gutierrez e mais material foi enviado à vara. Dois inquéritos envolvendo membros da cúpula do PMDB terão informações acrescidas por delatores.

Caixa dois – Alves, Raupp e Teixeira

Delatores da Odebrecht confessaram o repasse de dinheiro não declarado no exterior a três campanhas: de Henrique Alves (PMDB) para o governo do Rio Grande do Norte em 2014 (R$ 2 milhões), de Valdir Raupp (PMDB-RJ) para o Senado em 2010 (R$ 500 mil) e de Luiz Fernando Teixeira, deputado estadual do PT em São Paulo (R$ 300 mil).

O ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) teria pedido o dinheiro para a campanha de Alves. Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, já havia delatado o caixa 2 a Raupp em sua delação premiada, por isso o caso vai ao STF, já que o senador exerce o mandato.

Outros casos

O Ministério Público entende que a divulgação desse material pode prejudicar as investigações em curso.

Outros casos investigados sob sigilo são a operação do “departamento de propina” da Odebrecht, o banco Fator, vantagem indevida a ministro da Angola, irregularidades na construção de Belo Monte e da Arena Corinthians, gasoduto no Peru e dutos na Argentina, obras no complexo da Comperj, usina hidrelétrica no Equador, complexos agroindustriais na Venezuela e a campanha eleitoral no Peru. Os casos foram divididos entre a Procuradoria-Geral e a Justiça Federal do Paraná.

Já a investigação sobre cartel no adutor Castanhão, que envolve Humberto Santiago, foi enviado para a Justiça Federal do Ceará. A suspeita sobre Henrique Alves em relação à campanha eleitoral de 2014 foi encaminhada à Justiça do Rio Grande do Norte.

O deputado Luiz Fernando Ferreira (PT) deverá ser investigado no Tribunal Regional Federal da 3ª região.