Coordenadora conta como isolou e desarmou aluno de Goiás

  • Por Jovem Pan
  • 23/10/2017 11h00 - Atualizado em 23/10/2017 11h09
Reprodução/Globo"Ele falou: 'quero que chame meu pai'. Eu disse: 'Já chamei seu pai, fique tranquilo, confie em mim, nós vamos resolver isso'"

Em entrevista ao programa Fantástico deste domingo (23), Simone Maulaz Elteto, coordenadora do Colégio Goyases, contou detalhes da tragédia em que um aluno de 14 anos disparou contra colegas e como conseguiu retirar a pistola .40 das mãos do atirador, isolando o jovem de outros estudantes.

Simone diz que ouviu os barulhos dos tiros e correu para a sala onde os tiros foram disparados. Ela encontrou no local o garoto atirador, quatro jovens atingidos (dois acabaram morrendo) e “muito sangue”. Ela retirou do local Marcela, uma das feridas, deixou a menina com uma professora e pediu para que esta chamasse a polícia. Todos os outros alunos da sala do 8º ano já tinham fugido.

Sem ficar com medo, diz, aproximou-se então do rapaz e tentou acalmá-lo. Ele estava “alterado”, mas não apontou a arma contra a coordenadora. Depois de ter recarregado o revólver, deu apenas um tiro para a parede de trás.

“Me aproximei dele, não tive medo, coloquei a mão no ombro dele, perguntei: ‘O que houve, tá tudo bem?’ Ele tava um pouco alterado”, contou. “Ele deu um tiro pra trás da sala, para a parede. Aí eu falei: ‘Fica calmo, me dá a arma, entrega pra mim’. Ele não quis e ele falou: ‘quero que chame meu pai’. Eu disse: ‘Já chamei seu pai, fique tranquilo, confie em mim, nós vamos resolver isso'”, relatou Simone.

Ainda sem conseguir tomar a arma do garoto, Simone conseguiu conduzi-lo até a biblioteca do colégio, para isolá-lo dos demais. A coordenadora relatou o medo de ele voltar a atirar durante o caminho.

“Chegando no corredor, eu fiquei com muito medo de ele entrar nas salas onde tinham outros alunos. Eu tinha que impedi-lo”, disse, emocionada. O rapaz negou entregar a arma e Simone conseguiu segurar a mão dele com as duas mãos. “Aí nos descemos as escadas, eu sabia que tinha pais de alunos, alunos, funcionários no térreo da escola. Na minha cabeça, eu sabia que tinha muita gente lá e não podia levar ele pra lá. Eu levei ele pra biblioteca, sempre segurando (a mão com a arma)”.

Já na biblioteca, Simone conseguiu desarmar o estudante.

“Fiz ele sentar numa cadeira perto de uma mesa, fui me aproximando dele e levei a outra mão por cima da minha mão. Aí eu posicionei a mão dele pra baixo, de forma que a arma não ficasse apontada nem para ele nem pra mim. Aí falei ele: ‘Trava a arma, por favor. Então ele travou a arma'”, explicou.

Logo depois, a polícia militar chegou e imobilizou o jovem.

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