Coronavírus, gripe, sarampo: Como se prevenir estando no grupo de risco?

  • Por Camila Corsini
  • 15/02/2020 10h30 - Atualizado em 14/02/2020 19h15
EFEAinda que para o coronavírus não exista uma, muitos vírus -- como o da própria gripe -- já contam com ela

O novo coronavírus já matou mais de 1300 pessoas e deixou ao menos 63 mil infectados em 24 países registrados –  além da China, onde o COVID-19 teve início. Se para quem tem uma boa saúde e pode se medicar normalmente a apreensão já é grande, como ficam as pessoas que pertencem aos grupos de risco?

Grávidas, lactantes, crianças menores de um ano, idosos, diabéticos e pessoas que estão em tratamentos como quimioterapia são apenas parte do grupo que precisa de atenção redobrada para qualquer vírus infectocontagioso – não apenas com o coronavírus.

De acordo com o clínico-geral do MIT (Massachusetts Institute of Technology) Luís Fernando Correia “portadores de doenças cardiovasculares, que tenham doenças auto-imunes como lúpus ou artrite reumatoide e portadores do vírus HIV em atividade” completam o grupo principal de risco.

A infectologista do Hospital São Luiz Raquel Muarrek explica que isso acontece porque a imunidade dessas pessoas está mais sensível. “Pessoas com patologias como o câncer precisam da imunidade para o tratamento. Quem tem doenças auto-imunes, também. Já grávidas estão mais suscetíveis porque, a cada trimestre, ela passa uma porcentagem da sua imunidade para ajudar no desenvolvimento do bebê.”

Luís Fernando Correia destaca que é importante que haja uma espécie de “etiqueta respiratória” com a higiene. “Lavar as mãos com ainda mais frequência, se espirrar usar um lenço de papel e jogar fora, não ficar em ambientes de aglomeração principalmente se perceber que há pessoas espirrando ou tossindo. São medidas que ajudam bastante.”

Muarrek lembra também a importância de não levar a mão à boca. “O vírus fica de 7h a 10h vivo em uma superfície. Então às vezes você não sabe que alguém espirrou ali e pode se infectar. Se eu não estou imunologicamente adequada, eu fico resguardado. Quem tiver contato direto com vírus precisa usar máscara porque transmite mesmo antes dos sintomas aparecerem. O que pode ser feito a mais é lavar bem as narinas, tomar vitaminas e se hidratar”, completa Raquel.

Para potencializar ainda mais os cuidados, a infectologista do Delboni Alriemo Lígia Pierrotti garante que álcool gel pode ser um bom aliado. “A higienização das mãos é igualmente eficaz se realizada com água e sabão ou com solução alcoólica apropriada para isso. Elas são práticas para serem usadas em ambientes externos, ao longo do dia, e podem ser levadas nas bolsas e mochilas.”

Outra forma de prevenção para as doenças infectocontagiosas são as vacinas. Ainda que para o coronavírus não exista uma, muitos vírus – como o da própria gripe – já contam com ela.

Nesse caso, grande parte das vacinas é feita com o vírus vivo – o que as torna não indicadas para alguns grupos de pessoas. A infectologista Raquel Muarrek afirma que ainda assim há como se prevenir, mas que não depende de um só indivíduo.

“Se uma pessoa não pode vacinar, a família pode. Existe uma coisa que chama ‘vacinação por rebanho’. Quem convive com uma pessoa que não pode se vacinar tem a obrigação de ajudar. Por isso existem as campanhas de vacinação em massa. Os familiares protegidos fazem barreira para quem não pode.”