Criação de cargos foi “decisão política” de Temer, diz líder do DEM na Câmara

  • Por Jovem Pan
  • 03/06/2016 15h30
Líder do DEM na Câmara

A Câmara dos Deputados aprovou a criação de 14.149 cargos federais. A autorização, no entanto, passou sem maiores alardes pelos parlamentares pois estava no projeto de lei que previa reajustes no funcionalismo federal – Executivo, Judiciário e Legislativo, além do Ministério Público -, que trarão um impacto de R$ 58 bilhões às contas públicas.

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan, o líder do DEM na Casa, Pauderney Avelino (AM), declarou a criação dos cargos como “desnecessários”, mas negou que os deputados tenham sido enganados durante a votação. Segundo o democrata, o partido sabia que os cargos estavam sendo criados. Pauderney Avelino ressaltou à reportagem que “a matéria da Folha de S. Paulo é apenas uma parte da verdade” ao que ele justificou: “a outra verdade é que outros 15 mil e tantos cargos foram extintos. Mesmo assim, os cargos criados não serão preenchidos na sua expressiva maioria porque não há previsão na Lei Orçamentária e na Lei de Diretrizes Orçamentárias”.

Pauderney Avelino alegou que a criação dos novos cargos não acarretará “nenhum impacto negativo nas contas públicas em razão que houve a extinção de outros cargos”. Ele afirmou ainda que os cargos criados não serão ocupados nem neste ano e nem ano que vem.

Avelino reiterou que a criação dos cargos é desnecessária no atual momento e disse ter apresentado isso para a liderança do Governo, que mesmo assim optou por votar. “Houve pressa. Foi a decisão política do presidente Michel Temer. Ele queria votar essa matéria quando nós, nosos partido, PSDB, PT e outros líderes tentaram evitar que se votasse essa matéria agora (…) A decisão foi política”, disse o democrata.

Funcionalismo e o rombo nas contas públicas

Por ser uma proposta de emenda à Constituição ainda é necessária mais uma votação que deve ocorrer na próxima terça-feira (7) antes de seguir para o Senado.

No Senado federal também ocorrerá uma apreciação em dois turnos para que, então, a proposta seja promulgada.

A mudança de maior impacto foi o aumento do salário dos ministros do Suprmeo Tribunal Federal. O teto do funcionalismo pasosu de R$ 33.763 para R$ 39.293.

Cargos aprovados

Entre os 14.419 cargos aprovados, a maior parcela é de técnicos administrativos em educação (4.732). Também foram criados 52 postos no Instituto Brasileiro de Museus e 516 analistas para o Comando do Exército.

Revisão da pauta-bomba

O líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), afirmou nesta sexta-feira que o Senado irá revisar a pauta aprovada pelos parlamentares.

Ainda segundo ele, caso isso não ocorra, o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) irá vetar a proposta. A criação dos cargos foi incluída em proposta de lei que reajusta salários de servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), segundo o jornal Folha de S.Paulo.