“Crise humanitária não tem hora para acabar”, lamenta prefeita de Boa Vista

  • Por Jovem Pan
  • 07/08/2018 19h01
Marcelo Camargo/Agência BrasilTeresa lembrou que Roraima é o Estado mais pobre do Brasil, o que dificulta a manutenção dos serviços sociais com o aumento da demanda

Nesta terça-feira (7), após ficar fechada por decisão judicial, a fronteira entre Brasil e Venezuela foi reaberta e trouxe uma nova leva de venezuelanos para o País. A reabertura foi decretada pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, depois que o presidente Michel Temer disse que esta era uma prática inimaginável por parte do Governo Federal, mesmo com os apelos de políticos do Estado de Roraima, que sofre com o aumento no número de imigrantes.

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan, a prefeita de Boa Vista, Teresa Surita, voltou a lamentar a falta de ação por parte da União, assim como já havia feito mais cedo, em participação no Jornal da Manhã, e ressaltou que o número de venezuelanos atingiu o “limite máximo” que a cidade pode acomodar.

“Nossa situação é crítica. Tivemos esse fechamento da fronteira por algumas horas e, quando ela foi reaberta, o número de pessoas que fez a passagem entre os países foi imenso. Infelizmente, as decisões não são tão simples quanto está sendo colocado. Nós vamos assumindo essa responsabilidade, mas já não estamos mais dando conta”, lamentou Teresa.

Segundo ela, 10% da população da cidade já é de venezuelanos, que chegam necessitados de cuidados básicos e não têm condições de seguir viagem. Além disso, o processo de triagem na fronteira não está sendo feito da melhor forma, fazendo com que os imigrantes entrem no Brasil sem ter tomado vacinas, o que aumenta a proliferação de doenças, principalmente entre as crianças.

“Eles estão nas ruas, nos abrigos, e a cada dia chegam novos, sem ter onde ficar. Nós moramos no extremo norte do Brasil, e daqui só se sai de avião. As viagens são caras, as pessoas não tem condições de arcar com esses custos. Se nós conseguíssemos dar condições dessas pessoas seguirem viagem, a maioria não ficaria no Brasil e iria para países que falam a língua espanhola”, ressaltou a prefeita.

Falta de dinheiro

Teresa lembrou que Roraima é o Estado mais pobre do Brasil, o que dificulta a manutenção dos serviços sociais com o aumento da demanda. Para ela, a interiorização seria uma alternativa viável, uma vez que dividiria a questão com outras localidades do País. Porém, da forma como está sendo feita, não resolve a questão de Boa Vista.

“Precisávamos trabalhar com a questão de dividir essas pessoas com o resto do Brasil, o que eu entendo que também é um problemas. Os outros Estados não querem receber porque já falta emprego, falta espaços para habitação. Essa interiorização que deveria acontecer não está sendo feita porque o governo não consegue fazer. Nós chegamos no limite. Pode faltar remédio, pode faltar exame, pode faltar vaga em creche, além de outros serviços sociais. Não podemos falar em fechar fronteira, mas também não podemos deixar a situação como está hoje”, finalizou.

Confira a entrevista completa: