Cunha ainda tem força e vai tentar sobreviver em confusão, vê cientista político

  • Por Jovem Pan
  • 07/07/2016 15h18
Brasília - O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), renunciou há pouco à presidência da Casa (Marcelo Camargo/Agência Brasil)Eduardo Cunha renuncia à Presidência da Câmara

O analista Leonardo Barreto, doutor em ciência política pela UNB, avaliou as consequências políticas da renúncia do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à Presidência da Câmara.

Barreto avalia que “o jogo de Cunha” é conseguir anular a decisão do Conselho de Ética da Câmara, que pediu a cassação de seu mandato, por meio do Conselho de Constituição e JKustiça da Casa. Essa seria “a única chance que ele tem de preservar seu mandato”. “Ele fez essa renúncia como um ato de boa vontade com seus colegas deputados para que ele possa ter uma chance de não ir pro pleário”, avalia o cientista político.

Para o analista, a “janela de oportunidade está aberta e a decisão de Cunha desta quinta teve a ver com a primeira derrota que o governo Temer teve na quarta, com a votação da negocaiação da dívida dos Estados, cujo requerimento de urgência caiu. “Ali foi um aviso para o governo que Cunha ainda tem força. E hoje ele oferece a possibilidade de o governo eleger o novo presidente em cinco sessões, ele recompor a estrutura hierárquica do Congresso. E isso vai ter um preço: o preço é a salvação do mandato”.

“Aquilo era acordo definido junto aos governadores. Claro que o tema é polêmico, por causa do teto de divida dos Estado, mas tive conversa na terça com ministro que não tinha duvida de que (o pedido de urgência) seria aprovado. Aquilo foi sinalização da turma que ainda age sob influencia de Cunha de que ele nao pode ser jogado ao mar com tanta facilidade”, relacionou Barreto.

“A gente sabe que o sucesso esse governo depende de aprovação muito rápida de uma série de medidas econômicas polemcias. O governo (Temer) é muito refém da Camara dos Deputados, que Eduardo Cunha influencia. Governo vai continuar apostando

Por fim, Barreto avaliou que Cunha ainda “vai tentar colocar alguém do seu círculo de influência ali e, a partir da reacomodação das peças no xadrez político, vai tentar sobreviver nessa confusão”.