Cunha diz que se reuniu com Lula e Joesley para discutir impeachment

  • Por Estadão Conteúdo
  • 20/06/2017 08h30 - Atualizado em 29/06/2017 00h44
BRA100 BRASILIA(BRASIL),14/06/2017.- Fotografía de archivo del 19 de mayo de 2014, del expresidente del congreso nacional Eduardo Cunha, en la ciudad de Brasilia (Brasil). El expresidente de la Cámara de los Diputados de Brasil Eduardo Cunha, preso desde 2016 por asuntos de corrupción, aseguró hoy a la policía que el mandatario Michel Temer nunca intentó comprar su silencio, informó su abogado. Cunha, impulsor del juicio político que llevo a la destitución de Dilma Rousseff, declaró hoy, 14 de junio de 2017 en el marco de una investigación abierta contra el presidente Michel Temer por los supuestos delitos de corrupción, obstrucción a la justicia y asociación ilícita. EFE/FERNANDO BIZERRA JR/ARCHIVOEduardo Cunha - EFE

O deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se defendeu nessa segunda-feira (19), das acusações que Joesley Batista, dono da JBS, fez em entrevista à revista Época, do fim de semana passado. Em carta redigida de próprio punho na cadeia em Curitiba, Cunha citou um encontro entre ele, Joesley e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no ano passado, para desmentir o empresário. Joesley disse ter encontrado Lula em duas ocasiões: uma em 2006 e outra em 2013.

“Ele (Joesley Batista) fala que só se encontrou o ex-presidente Lula por duas vezes em 2006 e em 2013. Mentira! Ele apenas se esqueceu que promoveu um encontro que durou horas no dia 26 de março de 2016, Sábado de Aleluia (anterior à Páscoa) na sua residência, entre mim, ele e Lula, a pedido de Lula, para discutir o processo de impeachment (de Dilma Rousseff)”, disse, em carta. Cunha afirmou que, no encontro, pôde “constatar a relação entre eles e os constantes encontros que mantinham”. Segundo o ex-presidente da Câmara, sua versão pode ser comprovada com o testemunho dos agentes de segurança da Casa, que o acompanharam, além da locação de veículos em São Paulo, que o teriam levado até lá.

Defesa

Cunha disse ainda que “repudia com veemência as acusações” e desafia Joesley a comprová-las. O empresário disse à revista Época que Cunha respondia ao presidente Michel Temer, que era o chefe do que chamou de “Orcrim”, “organização criminosa da Câmara”. Temer também negou as acusações.

Além disso, o dono da JBS também afirmou que se tornou “refém” de Cunha e do corretor Lúcio Funaro – a quem ele deveria supostamente pagar uma “mesada” para não correr o risco de delatarem.

Além de negar as acusações, Cunha aproveitou para criticar o acordo de colaboração firmado entre Joesley e a Procuradoria-Geral da República (PRG), a que ele chamou de “delação bilionariamente premiada”.

O deputado cassado afirmou que entrou com recurso no STF para a anulação do acordo. “Hoje fica claro que ele mente para obter benefícios pelos seus crimes, ficando livre da cadeia, obtendo uma leniência fiada, mas desfrutando dos seus bilionários bens à vista”, disse. 

Beneficiário

O peemedebista encerrou a carta enumerando os supostos benefícios da JBS com o governo, citando especificamente a Medida Provisória (MP) do Refis e da Leniência com o Banco Central.