Cúpula em Belém começa com polêmica sobre exploração de petróleo na Foz do Amazonas

Lula indicou que tentará deixar a questão do petróleo de fora da cúpula: “Você acha que eu vim aqui para discutir isso agora?”; presidentes de seis países estão em Belém para o encontro até quarta-feira

  • Por Jovem Pan
  • 08/08/2023 08h09 - Atualizado em 08/08/2023 08h40
Ricardo Stuckert/PR Lula em Santarém Lula participou de lançamento de obra rodoviária em Santarém, no Pará, antes de seguir para Belém

Como prometido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda antes de assumir o terceiro mandato, a Cúpula da Amazônia, que acontece nesta terça e na quarta-feira, 8 e 9, em Belém, no Pará, deve marcar o esforço do governo brasileiro por um protagonismo mundial nos debates sobre a preservação da floresta e povos indígenas. O tema da exploração de reservas de petróleo na Foz do Rio Amazonas pode, porém, mostrar que o governo não está totalmente alinhado na área ambiental. Entidades do setor, líderes de países vizinhos como a Colômbia e parte do governo pedem que os estudos sobre o óleo na região sejam barrados, enquanto alguns ministros e até Lula já defenderam o potencial econômico das reservas. A Petrobras aguarda liberação do Ibama para perfuração da área.

Questionado nesta segunda-feira, 7, sobre o assunto, o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) afirmou apenas que o planeta, “infelizmente, não chegou ao ponto de poder renunciar à matriz energética que tem o combustível fóssil como predominante”. Já Marina Silva, titular do Meio Ambiente, ponderou que “qualquer atitude que não considere a ciência pode cometer erros irreversíveis”. “Mesmo que consigamos reduzir o desmatamento em 100%, se o mundo não parar com as emissões por combustível fóssil, vamos prejudicar a Amazônia de igual forma”, disse Marina. O presidente Lula, ao chegar ao Pará nesta segunda, indicou que tentará deixar a questão do petróleo de fora da cúpula: “Você acha que eu vim aqui para discutir isso agora?”, respondeu a jornalistas.

Durante a cúpula, Lula e ministros recebem os presidentes da Bolívia, Colômbia, Guiana, do Peru e da Venezuela e representantes do Equador e Suriname. Além deles, participam enviados dos governos da Alemanha e da Noruega, principais países que contribuem para o Fundo da Amazônia, e da França, em razão da Guiana Francesa. Outros convidados representam países com florestas tropicais na África. Ao final da cúpula, as oito nações que compõem a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) devem assinar um documento de cooperação com metas ambientais.

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