Curitibano se recupera do coronavírus com ‘muito líquido e boa alimentação’

Homem de 43 anos tem asma e foi uma das 7 pessoas a se curar da doença na cidade

  • Por Jovem Pan
  • 25/03/2020 16h42
WAGNER SOUZA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOEle alerta para o respeito ao isolamento domiciliar

Na cidade de Curitiba, sete pessoas já se recuperaram do coronavírus. Uma delas é Pedro Luiz (nome fictício), de 43 anos, que já foi até liberado do isolamento domiciliar, passados 14 dias da notificação do caso.

A recuperação de Pedro foi feita em casa, com isolamento domiciliar. “Como não tem vacina e nem cura [remédio específico] ainda, procurei tomar muito líquido e me alimentar bem.”

Segundo ele, ter paciência e responsabilidade é fundamental. “O grande problema é que o coronavírus não ‘derruba’ a maioria dos contaminados, dá uma dor de garganta, pode dar febre e depois de dois ou três dias em casa a pessoa acha que está bem, sai na rua e pode contagiar outras. Por isso é importante respeitar os dias de isolamento, mesmo que não tenha mais sintomas”, diz.

Pedro relata que procurou ter muito cuidado e ficar separado da esposa e dos filhos. “Fiquei em um outro quarto.” Segundo ele, seus familiares não apresentaram sintomas, mas mesmo assim fizeram quarentena sem sair de casa.

Contaminação

Pedro conta que a contaminação provavelmente ocorreu em uma viagem que fez no fim de fevereiro a Milão, na Itália, país considerado o novo epicentro da pandemia. Ele ficou hospedado na casa de um amigo que passou mal, com febre alta, enjoo, vômito, diarreia e dores no corpo.

Lá, ele relata que assistiu ao “terror da doença”, porque muitas pessoas menosprezaram o coronavírus e não seguiram as recomendações governamentais.

“Se eu pudesse dar um recado para as pessoas aqui no Brasil é para que sigam todas as recomendações, principalmente com o isolamento domiciliar, saindo só quando extremamente necessário e, se possível, não deixando as crianças, que podem ser assintomáticas, com os avós”, aconselhou.

O curitibano começou a sentir os primeiros sintomas — garganta irritada, febre de 38,8º C, fraqueza e enjoo — ainda na Europa. Pedro também perdeu o olfato e o paladar, mas não teve espirros e tosse, apesar de ter asma.

Ele voltou ao Brasil no dia 6 de março e, no dia 8, o amigo que mora na Itália telefonou contando que uma pessoa do trabalho dele havia sido diagnosticada com Covid-19 e o orientou a ir fazer o exame.

Pedro foi, então, em uma unidade de saúde próxima de casa. “Cheguei com máscara e relatei onde estive, falei dos sintomas e fui colocado em isolamento em uma sala onde fizeram a coleta”, lembra. Em quatro dias, saiu o resultado do exame e, a partir daí, ele foi monitorado diariamente pela Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba.