Eleição para presidente do Senado é suspensa e será retomada no sábado

  • Por Jovem Pan
  • 01/02/2019 22h20 - Atualizado em 01/02/2019 22h37
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Alcolumbre e Renan Calheiros devem polarizar a disputa transferida para o sábado

O Senado Federal decidiu suspender, após quatro horas de discussões na noite desta sexta-feira (1º), a sessão que definiria o novo presidente da Casa. A nova reunião do plenário foi remarcada para as 11 horas deste sábado (2).

A medida acatou questão de ordem do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e os parlamentares levantaram as mãos, indicando apoio. Durante toda a sessão, houve debates e críticas sobre a condução dos trabalhos pelo senador Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Uma ala, em maioria favorável à candidatura de Renan Calheiros (MDB-AL), defendia que o democrata abrisse mão da presidência por também estar na disputa pelo cargo. Com isso, a responsabilidade passaria a um aliado de Renan, José Maranhão (MDB-PB).

Outro grupo de senadores queria que a sessão fosse suspensa para que os parlamentares pudessem chegar a um acordo sobre quem deveria, de fato, conduzir a eleição. A senadora Kátia Abreu (MDB-TO) chegou a tirar uma pasta das mãos de Alcolumbre.

Voto aberto

Horas antes, depois de intensas discussões, senadores decidiram que a eleição para presidente da Casa terá voto aberto. O plenário aceitou questão de ordem, com 50 votos favoráveis e dois contrários à medida. “Só defendem voto secreto aqueles que acham que nossas ações não devem ter a transparência necessária”, afirmou Randolfe.

O MDB – de Renan Calheiros – e o Partido dos Trabalhadores foram contrários à mudança no regimento interno, que prevê a eleição secreta. Ambos alegaram que já houve decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o assunto. A Corte não quis interferir no regimento interno do Senado e deixou a decisão exclusivamente para parlamentares.

O voto secreto, segundo apostas dos bastidores, poderia beneficiar Renan – já que os senadores não precisariam ligar as próprias imagens a um antigo cacique do Poder Legislativo, investigado em casos de corrupção. Com isso, grupos contrários ao emedebista têm articulado em favor de Davi Alcolumbre, que teria um perfil mais positivo.

Além de Randolfe, o voto aberto foi defendido pelos senadores Lasier Martins (PSD-RS), Selma Arruda (PSL-MT), Jorge Kajuru (PSB-GO) e Reguffe (sem partido-DF). Entre outros, eles alegaram que o povo brasileiro tem direito de saber em quem cada representante votou e citaram o “princípio da transparência” em ações do plenário.

Renan Calheiros reagiu. “Em nenhum lugar do mundo, onde prevalece uma Constituição e a democracia, jamais haverá voto aberto na eleição de presidente, não é do Senado, do STF, do Supremo Tribunal de Justiça [STJ], do Corinthians, da Rússia”, disse, em meio ao encaminhamento – ou tentativa disso – dos votos por líderes partidários.

Major Olímpio (PSL-SP), do partido do presidente da República, Jair Bolsonaro, indicou que a bancada do partido deveria votar a favor das questões de ordem, mas outros criticaram a presença de um candidato como juiz do processo eleitoral, como Humberto Costa (PT-CE), Eduardo Braga (MDB-AM) e Otto Alencar (PSD-BA).

Correligionário de Alcolumbre, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) disse que há precedente para que o colega presida a sessão. Como exemplo, citou o próprio Renan Calheiros, que, “em 2007 e em 2011”, avaliou questões de ordem “antes de passar o comando para outros parlamentares antes de passar o comando da sessão”.

Pasta

Os ânimos ficaram exaltados durante toda a sessão desta sexta. Durante a votação para decidir se a eleição do presidente da Casa teria voto aberto ou fechado, a senadora Kátia Abreu (PDT) tentou tomar a mesa e pegou a pasta com as respostas aos pedidos de ordem que estava com Alcolumbre, a quem pediu para deixar o comando dos trabalhos.

Em um bate-boca, Kátia Abreu atacou o senador e afirmou que ele não podia chefiar a sessão por ser candidato à presidência do Senado. “Se ele pode presidir, eu também posso”, afirmou ela, sentando ao lado dele na mesa. “Eu vou presidir a sessão. O senhor é candidato, não pode sentar aqui”, gritou. “O senhor está usurpando a mesa.”

Enquanto Kátia Abreu gritava, Davi Alcolumbre anunciou que o Senado decidiu que a votação para a presidência teria voto aberto. “O senhor não vai presidir. Chame o mais velho para presidir. Ganhou, ganhou; perdeu, perdeu”, continuou a senadora. Apesar da vitória, o impasse sobre a condução dos trabalhos só deve ser resolvido no sábado.